segunda-feira, 26 de junho de 2017

Sinto culpa porque...

...falto sistematicamente ao trabalho há quase dois meses, primeiro porque a minha mãe partiu o pulso e não arranjava creche para o Vicente e depois, porque arranjei creche e ele está sempre doente;
tenho projectos pessoais que não estou a conseguir adiantar no tempo a que me propus;
me falta tempo para namorar e para mimar o meu marido;
não sobram braços nem colo nem cérebro para tantos filhos e tantas solicitações diferentes;
não consigo manter a casa arrumada como imagino que as mães todas do mundo conseguem;
adormeço no sofá quase todas as noites;
não devolvo chamadas, não retribuo mensagens e mal respondo a mails;
fervo em pouca água;
ouço os outros, mas não escuto nada;
finjo que está tudo sob controlo, mas não raras vezes me sinto uma fraude.
No fundo, só quero que me deixem em paz durante um dia inteiro; que se esqueçam da minha existência e me larguem da mão, entregue ao mais profundo silêncio. Um dia, apenas.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

10 anos, dois números, o meu pior aniversário!


Aos 10 anos a minha filha teve o seu primeiro desgosto. E tudo começou no exacto dia em que os fez, acabada de chegar da "viagem de finalistas" que fechava o seu 1º Ciclo e que acabou por fechar-lhe a possibilidade de andar de avião pela primeira vez, de visitar a China e de rever o pai.
O passeio que lhe roubou a viagem de sonho foi no fim-de-semana dantesco que roubou a vida a tanta gente, e é por isso que relativizo a tristeza em que a minha filha está desde aí. Diz-me que andou um ano inteiro a pensar nela - na viagem de sonho, que tem saudades do pai e de uma China que ainda só existe na sua cabeça, e está dividida entre a inveja que sente dos manos e o sentir-se feliz por eles. Um dilema moral que os adultos conhecem de cor e que ela experimenta pela primeira vez. Para além disso, está fisicamente deitada abaixo, porque o calor severo daqueles dois dias de inferno desidrataram-na, com tudo (ou quase tudo) o que isso implica.
Ainda assim, agradeço a Deus esta filha triste que tenho. Agradeço tudo, todas as pessoas que permanecem, mesmo nos seus dias a preto e branco, que todos temos e que a minha filha também já tem. Porque nenhuma tristeza se compara à tragédia de quem não viu voltar "os seus" naquele fim-de-semana de inferno. Naquele dia infernal em que a minha filha fazia 10 anos, finalmente dois números mamã, o meu pior aniversário.

[obrigada pelas mensagens de carinho; a Vitória já está a recuperar por dentro e por fora]

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Partidas e chegadas



Não escrevo desde que os meus dois filhos mais velhos foram de férias para a China. E desde que a minha filha foi obrigada a ficar em terra por problemas de saúde. Não escrevo cá para fora, mas faço mil narrativas por dentro, a repetir vezes sem conta que os rapazes foram na maior aventura das suas vidas, e que ela tem a vida pela frente para muitas mais.
Assim seja.

sábado, 17 de junho de 2017

10 anos da minha maior Vitória!

Pau Storch Photography

Foste o meu parto mais fácil, o único que aconteceu logo de manhã às mãos da Enfermeira Celeste que nunca mais vi, mas que que nunca mais esqueço. Chegaste calma, mas cheia de força e foste a Vitória da nossa vida, a princesa entre dois piratas, o tempero rosa que precisava para sentir que tinha a minha maternidade cumprida.
És o meu maior desafio, porque me revejo sempre que olho para ti. E porque és muito melhor do que sempre fui: cuidadora, mãe dos manos, às vezes crescida demais para os teus 10 anos, dona de uns olhos bem mais antigos que tu; mas isso ainda não sabes.
Amo-te. E quando deixares de gostar de cor-de-rosa e de ganchos no cabelo, mesmo assim e contra a tua vontade, serás sempre a minha princesa.

[parabéns, meu amor!]

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Mergulho



Estou oficialmente em contagem decrescente.
A minha cabeça saltita em direcções diferentes. O aniversário da minha filha daqui a menos de vinte e quatro horas. A sua ida hoje para um passeio de finalistas e a sua chegada amanhã, sobre os dez anos. As malas e a roupa, vezes três, espalhadas pela casa, à espera de serem embaladas para o outro lado do mundo. O meu coração desarrumado também. Em tumulto. A minha vida a acontecer sem freio. Às vezes tento travar-lhe o ritmo alucinante, mas não consigo porque já está em velocidade cruzeiro. E nem quero, porque sei que há coisas boas a chegar; uma espécie de destino que se cumpre; assim seja.
Já me fartei de lhe procurar significados. À Vida. Limito-me a agarrar o que posso e a deixar-me levar nas ondas. Engulo pirolitos, fico segundos que mais parecem séculos sem respirar, embrulho-me na água salgada que purifica, e arrasto-me até à praia-porto-seguro. E espero-me em terra firme. E espero os meus três amores em terra firme no dia em que fizer quarenta e três. Espero-os para continuar o resto da minha vida. Até lá, faço um intervalo e mergulho.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Coração bipolar



Os meus três filhos estão prestes a ir passar férias ao outro lado do mundo, onde mora o pai, e o meu coração divide-se entre o entusiasmo de saber que estão à beira de uma aventura de uma vida e o medo de os ver partir para o mundo. Esse mundo real que já está muito longe da bolha segura que construímos para eles desde que são minúsculos, e que se vai desvanecendo, até só sobrar uma miragem dessa falsa sensação de segurança. É que nunca foi realmente seguro, pois não?...
Pergunto-me quantas vezes vemos partir os filhos. Quantas partidas, quantas chegadas, quantos sorrisos e quantas lágrimas. A tudo assistimos num misto difícil de explicar, algures entre um coração cheio e um coração vazio, um coração bipolar este, o das mães e dos pais e da gente que ama muito, sem medo nem limites nem ses. Também só assim, neste desconcerto, é que isto tudo faz sentido.

domingo, 11 de junho de 2017

Foi preciso chegares...


O teu avô não conhece o cheiro das maçãs, da terra molhada nem da pele de ninguém, porque nasceu sem olfacto. Se lhe perguntares se lhe faz falta não saber a que cheira o mundo, responde-te que não, porque o seu mundo nunca teve nenhuma fragrância.
Com o Amor é igual. Só lhe sentes a ausência quando descobres que existe assim, de determinada maneira.
Isto para te dizer que foi preciso chegares, meu amor, para mostrares ao papá que lhe fazias falta.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

É só um jogo de futebol!

O Cristiano é o melhor jogador do mundo, mas não é um pensador onde espero ir buscar inspiração para levar a vida com mais leveza. Achava eu, do alto da minha arrogância parva. Ontem, contudo, a ver o filme sobre parte da sua vida, levei uma estalada de humildade, quando para serenar a mãe antes do Mundial, vejo o Ronaldo dizer-lhe que aquilo é só um jogo de futebol, que não é uma questão de vida ou de morte.
O filme acabou e ficou-me esta frase simples mas poderosa - "é só um jogo de futebol", principalmente porque é dita por um jogador para quem o futebol é a vida, o ar que respira, quase tudo. Preciso muito desta ideia. Esta de que a minha maior preocupação que agora parece um tsunami, é só "o meu jogo de futebol". E que apesar de poder ser um dos maiores jogos da minha vida, ele não esfola nem mata nem me determina nem me define.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Dores de crescimento...



Hoje o Vicente foi para a creche pela primeira vez. Ficou lá três horas, não comeu, não dormiu e chorou o tempo todo. Depois de chegar a casa, adormeceu de exaustão ao meu colo e passada uma hora, ainda soluçava no sono.
Sim, é a quarta vez que passo por isto. Ainda assim, continua a doer o coração, a alma, o corpo todo.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Tem dias!

Juvenália de Oliveira Fotografia
Dedico esta fotografia aos leitores deste blogue que, depois de ter escrito sobre isto de andar zangada com o meu gato por não me deixar dormir há dois anos, ficaram a achar que é um desgraçado-mal-amado.
Sim; tem uma vida difícil como todos nós. Tem dias. Temos dias. Sim, às vezes é mal-amado. Somos todos. Temos dias.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Dia dos Irmãos


Esta será sempre a minha fotografia de eleição.

[25 de Maio de 2016, Maternidade Alfredo da Costa]

terça-feira, 30 de maio de 2017

Álbum de recordações recentes [Vicente]

Juvenália de Oliveira Fotografia
As primeiras amigas do Vicente no parque foram a Bianca e a Jasmim.
O Vicente andou pela primeira vez, sem estar à espera da nossa mão, a 29 de Maio de 2017.
O Vicente roubou pipocas doces três dias depois de fazer 1 ano, mas provou chocolate pela primeira vez, antes disso, às mãos do avô Marcos.
A prenda de aniversário do Vicente foi um triciclo em forma de pelicano. E também teve uns mocassins castanhos iguais aos do pai.
O Vicente já diz "papá" e mamã" e "já está" e "olá" e "Daté" (leia-se, Duarte).
O Vicente come migalhas do chão, só muda a fralda de pé e adormece por exaustão.
O Vicente adora bolas e eu vou ser a futura D. Dolores.
O Vicente ama beijinhos repenicados, abraços apertados e caretas ridículas.
A primeira história que contei ao Vicente foi "A Paixão segundo G.H.", da Clarice Lispector, porque não estava a perceber nada do livro e achei que lê-lo em voz alta me traria a luz. Não trouxe, mas apaixonei-me pela Clarice. O segundo, foi o livro de poemas "César a César" da Adília Lopes, pelas mesmas razões. E apaixonei-me pela Adília.
O Vicente adora iogurte com banana, sopa de espinafres e pão de alfarroba do Continente. Passo a publicidade (é assim que se diz?...).

[continua...quando me apetecer]

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Quantos sinónimos tem a palavra "Amor"?


Esta fotografia, tirada pela minha mãe no aniversário do Vicente fala de Amor e de deslumbramento. Os melhores sinónimos descobrem-se quando não estamos à espera...

sexta-feira, 26 de maio de 2017

O "boneco Vicente"!

Ontem, sem estar nada à espera, recebi esta maravilhosa surpresa personalizada da talentosa designer Maria Santos. Confesso que já conhecia o trabalho da Maria há algum tempo através do instagram, e muitas vezes tinha pensado que adoraria ter a minha família (ou parte dela), retratada pelas suas mãos e pelo seu olhar. Acabou por ser no primeiro aniversário do Vicente, uma data memorável para receber uma prenda destas!

Se quiserem conhecer melhor o trabalho da Maria, espreitem AQUI!

quinta-feira, 25 de maio de 2017

terça-feira, 23 de maio de 2017

Noivas em forma!*


Muita gente me tem perguntado o que ando a fazer para ter emagrecido tanto. A resposta é fácil: desde Agosto de 2016 que como de maneira diferente, graças aos conselhos de nutrição da Clínica do Tempo, e tem sido com a ajuda dos tratamentos não invasivos Liposhaper e Biotime que me tenho mantido sem flacidez, embora o único exercício que faça com regularidade seja pegar no meu bebé ao colo!

Até ao final de Maio,  a Clínica do Tempo tem condições especiais para noivas, através do "Programa Especial Noivas de Sonho", que inclui:
- Consulta de Nutrição com análise de composição corporal;
- Check-up Ortomolecular;
- 2 zonas de Liposhaper;
- 1 Biotime;
- 1 Limpeza de pele.

Se estás noiva ou se conheces alguém prestes "a dar o nó", este post é para ti!

[Informações sobre esta campanha através do Call Center Internacional:(+ 351) 21 458 85 00]

*post escrito em parceria com a Clínica do Tempo

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Cabelos naturais: a história da minha "transição"

A última vez que pintei o cabelo foi em Janeiro, e decidi deixar de o fazer porque estava farta de químicos e de comichões no couro cabeludo, porque andava cansada de ter de pintar cada vez com maior frequência e porque queria conhecer o meu cabelo ao natural. Na verdade, há mais de vinte anos que o cobria (já foi preto retinto, castanho, ruivo, vermelho e louro...), e a curiosidade de saber de que cor era agora, também foi umas das razões porque decidi abandonar as tintas.
Procurei informar-me sobre outras mulheres que, ainda relativamente jovens, tomaram decisões parecidas, e no meio da pesquisa, descobri que apesar de sermos cada vez mais, este ainda é um tema muito controverso, principalmente (e curiosamente!), entre as mulheres. Recebi muitas críticas nas redes sociais e algumas na vida real. Houve quem tentasse dissuadir-me a bem e a mal, quem me dissesse que iria ficar velha, com um "ar pesado", e houve até quem dissesse que os meus filhos iriam ter vergonha de mim, por passar a parecer a avó nas reuniões da escola. Tive críticas construtivas, destrutivas, gratuitas e tive comentários maravilhosos de gente que não me conhece, mas que me deu uma força enorme. Ainda assim, a grande motivação chegou de casa: do meu marido (apoiante desde a primeira hora), da minha mãe (curiosa por todas as mudanças feitas com convicção), e dos meus filhos, assustados no início, mas eternamente tolerantes com as novidades que, às vezes, lhes apresento de repente. A todos eles, obrigada por me aceitarem como sou.
Esta história não estaria completa sem referir as "mulheres guerreiras" que me têm apoiado nesta viagem desde o momento em que criei o grupo de facebook, Mulheres de Prata. Já o disse aqui e repito: criei-o por razões meramente egoístas, porque não queria ficar sozinha neste "barco". Mas rapidamente o grupo se transformou em muito mais que isso. A motivação, o foco, a troca de informações, a generosidade de todas, tem sido uma descoberta maravilhosa e um excelente exemplo do que podem ser as redes sociais feitas por gente boa. O grupo conta hoje com mais de 1600 membros, mulheres que já são prata, que estão a caminho, que querem ganhar coragem, ou que simplesmente têm curiosidade sobre o tema. Todas as razões são válidas, desde que cheguem por bem.
Não pretendo catequizar ninguém para este processo. Estou muito feliz com o resultado (já não tenho praticamente tinta nenhuma), mas é a minha experiência, apenas isso. Ainda assim, há uma coisa que defendo acesamente desde que iniciei a minha transição: o direito que todas as mulheres têm de serem elas próprias, sem críticas alheias, nem pressões. O direito que todas temos de fazer as nossas escolhas, mesmo que elas possam parecer incompreensíveis, fora de tempo, desnecessárias.

À porta dos 43, cruzo-me ao espelho com esta nova mulher e mal me reconheço. Dou por mim a experimentar um estilo diferente e a ponderar usar roupa e acessórios que nunca antes ponderara, e vem-me à cabeça sempre a mesma ideia: nunca é tarde para recomeçar nada, para ser nada, para arriscar nada. E se esta história tem uma lição, é somente esta.

domingo, 21 de maio de 2017

10º Aniversário da Red Apple [eu vou!]


A Red Apple comemora 10 anos no próximo dia 28 de Maio e tem previstas uma série de actividades para pais e filhos que não vão querer perder!
E se quiserem estar à conversa com a Catarina, com a Ana  e comigo sobre os desafios das famílias de hoje, apareçam por lá pelas 14h30 e venham dar-nos um abraço.
Conto convosco, naquela que já é uma família para mim...

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Os filhos agradecem que os pais sejam crescidos!

Foto: Ana Varão
De cada vez que vou a mais uma sessão da Pós-Graduação em Mediação Familiar, venho de alma cheia!
Ontem o tema foi a Mediação Familiar Transfronteiriça/internacional, um tema duro onde o assunto da subtracção de crianças por um dos progenitores andou por lá, em cima da mesa. Saí com o coração apertado e com a certeza, ainda maior, de que é tão necessário ajudar os pais em conflito a gerir o processo, a reparar a imagem do outro (já não formam um casal, mas partilharão, para a vida, a responsabilidade maior delas todas - a parentalidade), e a seguir em frente. Os filhos agradecem que os pais sejam crescidos.