sexta-feira, 24 de março de 2017

Sabias que há estudantes refugiados em Portugal? [vamos ajudar?]


A Associação Académica de Lisboa encontra-se a promover o Concerto Academia Solidária, cujas receitas reverterão para a atribuição de bolsas de estudo para estudantes refugiados.
O evento decorre hoje, na Aula Magna, e conta com a participação da Estudantina Universtária de Lisboa, Berg, Diogo Faro, entre outros, procurando sensibilizar os estudantes do ensino superior e a comunidade em geral, para a causa dos Refugiados que se encontram a ser acolhidos e integrados em Portugal, em particular, dos estudantes.

Para todas as informações, espreita aqui e aparece!

quinta-feira, 23 de março de 2017

E se a autora destes pratos fosse eu?

Tenho a sorte de ter um parceiro que me apoia em tudo o que faço, que me valoriza nas pequenas e nas grandes coisas e que, muito mais que dar uma ajuda, partilha comigo todas as tarefas, numa lógica de "igual para igual", porque é dessa maneira que encaramos a família: como uma equipa. Esta visão faz com que dividamos tarefas em função dos gostos e das competências de cada um (é aqui que os pequenos-almoços ficam do lado dele!), e também, da disponibilidade física e mental de cada um. E isto implica admitir que se num dado momento estamos cansados ou não podemos por alguma razão, pedimos ajuda ao outro, que assume as rédeas das tarefas, sejam as refeições, a mudança do caixote do gato, as compras, o que for. 
Ainda assim, às vezes pergunto-me se fosse eu a fazer estes pequenos-almoços ao meu homem, se o feedback seria o mesmo, isto é, se seria digno de nota uma mulher com este esmero?...E não estou a falar da estética, nem do sabor, esses sim, inequivocamente dignos de nota! Também não me refiro aos muitos comentários simpáticos de pessoas que pedem receitas, que admiram a criatividade do meu marido e que lhe pedem um livro de pequenos-almoços :) A essas pessoas, agradeço infinitamente a simpatia e informo aqui, em primeira mão, que ando a tentar convencê-lo a criar um blogue com receitas de pequenos-almoços, mas ainda não consegui ser suficientemente persuasiva (vão continuando a tentar!). 
Refiro-me aos clássicos comentários "que sorte que tens em teres um homem que te faz coisas dessas!", ou "guarda-o bem, porque já não se faz disso!, ou ainda "gostava de saber o que é que fazes em casa!".
Em pleno século XXI e numa sociedade dita "desenvolvida", ter maridos que fazem coisas em casa ainda quer dizer uma de duas coisas: ou que tivemos sorte ou que somos preguiçosas. E ter homens que se dedicam às tarefas domésticas ainda é encarado como "uma ajuda", e pouco como uma "obrigação" que se reparte pelo casal.
Felizmente, "tive a sorte", lá está, de ter ao lado alguém que vê isto de outra maneira e pergunto-me, muitas vezes, se estarei a educar os meus "homens pequeninos" lá de casa para mudarem o chip. Quero acreditar que o exemplo norteia. A ver vamos.


PS: se quiserem ir acompanhando estes e outros pequenos-almoços, sigam-nos aqui!

quarta-feira, 22 de março de 2017

As mães perfeitas são pura ficção!

Juvenália de Oliveira Fotografia
Não acredito em mães perfeitas, porque apesar de serem tantas vezes super-heroínas, são pessoas, e também não acredito em pessoas perfeitas. Acredito que se estivermos atentos ao caminho que vamos fazendo, vamos melhorando coisas em nós e, no caso da maternidade, vamos limando arestas, afinando prioridades e relativizando. Podemos caminhar para um ideal de perfeição, mas nunca chegaremos lá e, provavelmente, ainda bem. É uma tremenda chatice tentarmos a todo o custo sermos perfeitas, e é mais chato ainda quando, equivocadamente, achamos que somos e passamos a vida a tentar convencer os outros dessa nossa "verdade". Gastamos energia, perdemos tempo e não granjeamos muita simpatia. Em resumo, ficamos umas chatas do pior e cansamo-nos muito!
Olho para trás, agora com menos culpa que há uns anos, e vejo como a inexperiência e a imaturidade ditaram a mãe que comecei por ser do meu primeiro filho. Muitos medos, uma enorme ansiedade e a ingenuidade de achar que se me esforçasse muito, conseguiria atingir a perfeição. Claro que bastaram as primeiras horas com um bebé recém-nascido em casa, para perceber que estava a anos luz de ser perfeita, e muitos anos para me libertar da culpa de achar que falhara por nunca ter atingido esse "nirvana das mães": a perfeição.
Foram precisos quatro filhos e muitas mudanças na vida, para entender que fui sempre a melhor mãe que consegui ser para cada um deles em cada momento, e essa descoberta faz hoje de mim uma mãe mais pacificada. Reparem que não digo "menos culpada", porque nós, mães, temos isto: esta eterna veleidade de achar que somos o molde mais importante dos nossos filhos e que os nossos erros cravam-se-lhes na pele para a vida. Cravam, sim, mas nem sempre de forma negativa. A mãe que erra e que ama, ensina aos filhos que errar é humano e que o erro é independente do Amor. A mãe que erra e que ama, cria proximidade porque se humaniza. E dá a liberdade aos filhos de também eles errarem, sem que isso lhes retire mérito e confiança para irem testando os seus limites.
Com o passar dos anos, tenho aprendido a libertar-me da busca da perfeição e a ser eu própria, com todos os erros que isso implica. E à medida que o tempo avança, acho que vou preparando filhos mais felizes.

terça-feira, 21 de março de 2017

No dia em que fizeste 42...







A ideia inicial era passarmos duas noites sozinhos, fora de casa, mas não deu [Catarina, obrigada pelas dicas!]. Quem tem quatro crianças sabe que os planos saem muitas vezes "furados", e é preciso lidar com isso com tranquilidade.
Optámos por tirar o dia de aniversário de férias, miúdos na escola, e rumarmos ao Sul. Sabíamos que tínhamos as horas contadas e que seria pouco tempo de "soltura", mas parámos de pensar "no que poderia ser" e aproveitámos para gozar "o possível": ir até Setúbal, apanhar o ferry para Tróia e parar na Comporta para almoçar e meter os pés na areia.
Há muitos meses que não vivíamos o luxo do tempo só nosso e, só por isso, este dia valeu por uma semana! É que se há coisa de que tenho saudades, é desta sensação de liberdade, aquela que dá espaço para recarregar baterias e voltar à vida real, retemperada.
Voltámos, mas queremos mais...

segunda-feira, 20 de março de 2017

Parabéns, meu amor!


Escrevo-te o que te disse esta madrugada: tem sido um privilégio fazer esta "viagem" contigo nestes últimos anos. Hoje começa mais um.

[parabéns, meu amor!]

domingo, 19 de março de 2017

A Mulher que está por trás da Pós-Graduação em Mediação Familiar!


A Ana Varão é uma das formadoras da Pós-Graduação em Mediação de Conflitos com especialização em Mediação Familiar que vou começar já na sexta-feira, é Psicóloga, Mestre em Sexologia e uma mãe babada de duas crianças lindas! É também a fundadora da Red Apple e uma mulher que admiro pela sua capacidade de "fazer acontecer".
Quase nas vésperas do início desta minha "viagem", quis fazer-lhe umas perguntas sobre o curso...

Como é que te interessaste pela Mediação Familiar?

Ana: Foi uma busca. Não foi ao acaso, foi a procura de um amor à primeira vista, se assim o podemos dizer: as relações familiares. Olhando para trás, posso ver hoje, que não foi ao acaso a formação que fiz até chegar aqui. Após completar a Licenciatura, tirei uma Pós-Graduação em Psicologia da Gravidez e da Parentalidade, depois um Mestrado em Sexologia e depois, ao mesmo tempo que tirei Psicologia Forense e Criminal, encontrei a Mediação Familiar. O curso fez-me parar esta busca por aquilo que nos identifica. O caminho guiou-me no sentido certo e foi-me dando bagagem suficiente para, de corpo e alma, deixar-me levar por este tema que ocupa hoje grande parte da minha vida.


Porquê esta área tão específica?

Ana: Porque fui constatando na minha prática clínica, como Psicóloga, que os pais precisam de ajuda no sentido de conseguirem ser pais, mesmo deixando de ser marido e mulher, e muitas vezes não sabem o caminho a seguir. E no meio, no meio disto tudo, estão as crianças que só querem continuar a ter os pais presentes na sua vida, ser amadas, protegidas e queridas.


Sentes que as famílias estão despertas para a Mediação, ou ainda é uma estratégia pouco utilizada para a resolução de conflitos?

Ana: Acho que ainda está longe do óptimo. Mas ao mesmo tempo, vejo cada vez mais famílias a pedir ajuda e isso é muito positivo. Costumo dizer que crescemos a ouvir histórias com finais felizes e ninguém nos ensina a separar… Ainda há muito a ideia de que “é normal” os pais darem-se mal porque são um ex-casal! Errado!!! Quando há filhos em comum, a bem dos filhos e do seu crescer saudável é por demais importante os pais encontrarem formas de comunicar positivamente sobre as crianças e a sua educação. Acredito que a Mediação será a melhor solução para gerir os conflitos familiares, porque ninguém melhor do que os próprios progenitores saberá o que é mais adequado para cada criança. Claro que é um desafio, isso de ser pai, sem ser casal, mas é fundamental passar a noção de que ser pai é para sempre, mesmo que a relação a dois tenha chegado ao fim.

Porque é que a Mediação Familiar é tão importante num processo de divórcio? Qual a mais-valia desta intervenção?

Ana: Porque as pessoas se sentem escutadas e apoiadas num momento tão difícil das suas vidas. Porque o mediador familiar estimula os pais ao diálogo, à escuta, à cooperação, num ambiente de respeito mútuo e aceitação. Porque se tratam as pessoas e as crianças pelo nome, trabalhando-se as especificidades, características e necessidades de cada família em particular. Porque a mediação aproxima as divergências, cria pontes e ajuda as partes a encontrar as soluções que precisam para reorganizar a sua família após a separação. Porque pelo caminho, se encontram respostas, formas de lidar com os conflitos e outros problemas que possam surgir no presente e futuro. Porque quando nos envolvemos e participamos de forma activa num compromisso de acordo, este será cumprido e trará a paz, tranquilidade e, por conseguinte, a merecida felicidade, para todos os membros da família. Porque estamos a proteger a criança e a contribuir para o o seu bem-estar ao minimizarmos o conflito interparental e trabalharmos estas competências de resolução de conflitos nos pais. Porque assim asseguramos a continuidade do contacto da criança com ambos os progenitores e a continuidade da família.

Esta Pós Graduação pode mesmo mudar vidas? Os formandos saem da formação a poderem ser mediadores?


Ana: Pode, porque mais do que uma Pós-Graduação é uma viagem! Uma viagem de descoberta da Mediação Familiar. Neste percurso, os formandos são desafiados a questionar, a reflectir e a colocar-se no lugar do outro, a conhecer a sua história pessoal, a sua narrativa. Quando a nossa visão do mundo, dos outros e do modo como lidamos com os outros muda, tudo muda em nós. Dificilmente saímos inalterados” deste caminho… Há uma mudança de perspectiva na forma como nos relacionamos e gerimos o conflito, quer no contexto pessoal, quer profissional. Pela partilha de casos práticos e participação activa em exercícios e role-plays, são trabalhadas no curso estratégias de comunicação; gestão e regulação de emoções e técnicas de negociação e resolução de conflitos; competências estas que serão fundamentais no papel de futuros mediadores. Esta formação (reconhecida pelo Ministério da Justiça) habilita os profissionais ao exercício profissional da atividade de mediador familiar, quer no sistema público de mediação, quer no contexto privado.

Hoje é o teu primeiro "Dia do Pai"?



Ia dizer que este é o teu primeiro Dia do Pai, mas seria injusta. Há já vários anos que neste dia te dedicam desenhos, postais, frases, sereias para colares no frigorífico, abraços e mimo.
Deve ser porque fazes "coisas de pai": levas e trazes da escola, preparas lancheiras, ouves desabafos, aturas as crises da "idade do armário", levas e trazes das trezentas festas de anos de adolescentes, compras o "pão de ló" que os rapazes mais gostam e as "frutinhas" da princesa cá de casa, distribuis sermões e abraços com igual facilidade, ris e choras com os sucessos deles e com as pequeninas "quedas", desdobras-te as vezes que forem precisas para lhes chegares, com uma generosidade que continua a comover-me.
Não me entendas mal. Não substituis o pai, porque felizmente não precisam: têm o deles e adoram-no. Mas cumpres o papel de "paidrasto" na perfeição, num modelo que inventaste à tua imagem e semelhança, já que nenhum de nós (tu, eu, eles), sabíamos antes o que isso era.
Hoje é o teu primeiro "Dia do Pai oficial". O primeiro em que recebes uma prenda minha em nome do Vicente e em que me ouvirás dizer "estás de parabéns, papá!". Mas há já vários anos que este dia também te pertence um nanosegundo que seja. E isso, continua a fazer de ti o tipo por quem me apaixono mais um bocadinho, todos os dias.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Recomeçar em Março [porque não?]*


Quem vai seguindo este blogue, sabe que a Clínica do Tempo foi essencial para as mudanças alimentares que tenho feito desde Agosto. No pós-parto do Vicente, foi ali que reaprendi a comer sem ficar com fome, nem culpa, e também é ali que vou fazendo alguns tratamentos não invasivos que me ajudam a combater a flacidez depois da quarta gravidez, aos 41.
Durante o mês de Março, a Clínica do Tempo oferece uma Consulta de Nutrição a todos os clientes, e condições vantajosas sobre os tratamentos que dispõe. 
Pode ser a oportunidade e o empurrão necessários para dar o salto e recomeçar...quem sabe?

*post escrito em parceria com a Clínica do Tempo

quinta-feira, 16 de março de 2017

"E que tal de azul, mãe?"



Desde que assumi publicamente que iria deixar de pintar o cabelo, tenho recebido muitos comentários no blogue, no instagram e no facebook, que podem ser divididos em 3 categorias:
1. Comentários de apoio (que agradeço);
2. Comentários críticos, mas feitos de forma educada (que agradeço e que me fazem crescer);
3. Comentários críticos cruéis e gratuitos (que abomino, mas que me tornam mais forte).
Hoje, contudo, quero falar-vos da categoria 2, onde se incluem muitas mulheres que, de forma sempre correcta e educada, discordam firme e legitimamente da minha decisão, porque não compreendem porque raio não tento retardar o envelhecimento, esse "bicho-papão" que parece retirar-nos tudo: beleza, sensualidade, credibilidade, e por aí adiante.
Juro-vos que nunca tinha pensado sobre isto, mas com esta experiência, questiono-me sobre algumas verdades absolutas com que crescemos a vida toda: 
- As mulheres de cabelo pintado têm sempre um ar mais jovem que as mulheres de cabelo branco;
- Deixar de pintar o cabelo significa desistir da nossa imagem e acelerar, inevitavelmente, o processo de envelhecimento;
- A condição feminina deve implicar uma busca constante pela juventude eterna (ou perante a impossibilidade da eternidade, a juventude que o bisturi, o cabelo tingido, o que for), conseguir aguentar;
- (...).
Não estou certa disto, mas também eu própria estou numa busca. Não condeno o bisturi, nem o cabelo pintado. Se isso nos fizer felizes naquele momento, porreiro-encantado-da-vida. Mais uma vez, cada caso é um caso e a minha experiência é a Minha, a Tua é a Tua e assim se faz o caminho da liberdade, da tolerância e da auto-determinação das mulheres e dos homens.
Acredito piamente que o segredo do bem-estar está em construirmos a nossa melhor versão em cada momento da vida. E para mim, neste momento, isso implica ver-me para além das tintas no cabelo, implica usar um batom vermelho quando me apetece, implica poder dizer o que penso, implica ser livre.
Isto não quer dizer que daqui a uns tempos não me apeteça voltar a pintar o cabelo. E como diz um dos meus filhos, "que tal de azul, mãe?". Sim, e que tal de azul?...
Não hasteio a bandeira das mulheres grisalhas, mas hasteio a bandeira da liberdade de sermos o que quisermos, sem pressões. No outro dia, alguém me mandava uma mensagem pedindo-me encarecidamente para parar de emagrecer e para pintar o cabelo...fiquei a olhar para aquelas palavras uns minutos, curiosamente ternas e quase em tom de súplica (ao contrário de outras que vou recebendo), e a tentar entender o que quereriam dizer...em que é que este processo assusta as mulheres? O que é que põe em causa, quando falo de um caminho individual que não obrigo, naturalmente, ninguém a seguir?
Tantas dúvidas e tão poucas certezas. Apenas uma: o cabelo, tal como o mundo inteiro, é feito de muitas cores, muitos matizes, muitos tons diferentes. E ainda bem.

terça-feira, 14 de março de 2017

Desassossego


Olho para esta fotografia e vejo, claramente, que o tempo anda a passar por mim. E ao contrário do que pensava, não me assusto. Aceito os "pés de galinha", o cabelo grisalho a despontar, o duplo queixo a mostrar que está ali para ficar, a pele a perder flacidez.
A caminho dos 43, confronto-me com os primeiros sinais de mudança no meu corpo e treino a capacidade de sossegar. Porque para o desassossego, já chega o mundo cá fora. 

Já vos disse que rir faz bem à saúde?



Num curto espaço de tempo, fui criticada no blogue e no instagram pelo meu sorriso. Parece que há quem ache que me rio demais, que é impossível alguém ter sempre vontade de rir, que é chapa 5, que já toda a gente sabe que tenho uma "cremalheira" bonita (expressão usada pelo leitor anónimo), pelo que não é preciso passar a vida a mostrá-la e o diabo a sete. Ontem, por exemplo, publiquei uma fotografia no instagram em que estava a rir (cá está, que maçada!), e também fui alvo de outra crítica, porque escrevia que tinha ficado em casa com a minha filha doente, e que tal tema não daria nenhuma vontade de rir. Para sossegar a seguidora preocupada, dizer-lhe que, obviamente, não é nada de grave, e que a virose da miúda não é caso para chorar baba e ranho, muito menos, no exacto segundo em que decido tirar uma fotografia a mim própria.
Espanta-me sempre esta capacidade que algumas pessoas têm de ver o lado negro da vida e das coisas. E espanta-me mais ainda, este direito que as invade de opinarem sobre a vida dos outros com propriedade, certas de que ela é tão somente aquilo que é partilhado nas redes sociais. O meu dia-a-dia é apenas os pequenos-almoços que fotografo, os constantes sorrisos que esbanjo de "cremalheira escancarada", as declarações de amor que dedico ao meu marido e assim por diante. E como ninguém pode viver num idílio constante, é melhor avisar a navegação (não vá ela estar desatenta!), que soa a falso.
Pois tenho uma novidade em primeira mão para partilhar: os episódios e as reflexões sobre os quais escrevo, são uma ínfima parte da minha existência, graças a Deus. De modo que, para sossego das senhoras que não gostam de me ver rir, não me estou sempre a rir. Também choro, também espirro e faço cocó, também tenho ranho a escorrer pelo nariz quando me constipo, também faço birras, também tenho remelas se não lavar os olhos de manhã, e assim por diante.
Mais descansadas, agora?
Vá, está tudo bem...somos todas de carne e osso.

domingo, 12 de março de 2017

B.headstyling [projectos do coração]




Juvenália de Oliveira Fotografia

Descobri a B.headstyling, porque andava à procura de acessórios para pôr na cabeça que me ajudassem na fase de transição do cabelo pintado para o meu cabelo natural. As raízes começavam a crescer muito, e a diferença entre os fios brancos e os vermelhos era já muito notória e, em certas ocasiões, um bocadinho desconfortável.
A marca, criada pela Rita Piteira, é portuguesa e disponibiliza turbantes, lenços e afins para mulheres que por alguma razão (doença oncológica, alopécia, ou outra), querem encontrar um estilo próprio recorrendo a um acessório deste tipo.
Apaixonei-me de imediato pelos turbantes da B.headstyling e, mais ainda, pela história de garra da Rita, já que este projecto nasceu de uma adversidade: foi-lhe diagnosticado cancro da mama aos 36 anos, e devido aos tratamentos de quimioterapia, sofreu de alopécia temporária (perda massiva de cabelo), facto que fez com que precisasse reinventar o seu estilo e criar uma gama de produtos à sua medida. Nascia, assim, a primeira marca registada portuguesa dedicada, exclusivamente, à confecção de acessórios para um público tão especial.
Quando a descobri, achei que este tipo de produtos poderia, também, adaptar-se a mulheres em transição para o seu cabelo natural e lancei-lhe o desafio.
A oferta é enorme e adaptada a todos os gostos, com acessórios exclusivos que permitem combinar padrões e estilos. Para além da estética, todas as peças são feitas com materiais que garantem o conforto e o cuidado extra que a pele necessita.

[podes comprar online, AQUI e ao adquirires os produtos, estarás a contribuir para o Fundo IMM - Laço, a Caminho da Cura]

Faltas-me o dia inteiro...

Juvenália de Oliveira Fotografia
Voltei ao trabalho há 3 meses e ainda não me habituei a estar sem ti. Não vou mentir. Sabe-me bem fazer a Marginal todas as manhãs, metida nos meus pensamentos e em absoluto silêncio. Sabe-me bem  sair leve e solta, sem carrinho para empurrar, nem mala para carregar, nem ovinho, nem nada. Sabe-me bem ver gente crescida e ter conversas de gente crescida. Sabe-me bem sentir que a minha vida volta a ter várias frentes que não apenas tu, e que volto a sentir-me eu, depois das hormonas aos saltos tantos meses, do leite a jorrar das mamas, do período interrompido durante tanto tempo e do corpo a recuperar. Sabe-me bem perceber que ao fim de quatro filhos e a caminho dos 43 de idade, sinto-me feliz na minha pele. Talvez, até, melhor que nunca.
Sabe-me bem tanta coisa. Mas faltas-me tu o dia inteiro...percebes isto?

quinta-feira, 9 de março de 2017

Conciliação

Juvenália de Oliveira Fotografia
Esta imagem simboliza a possibilidade que todos temos, de conciliar coisas que são importantes na nossa vida. Neste caso, a conciliação entre os treinos e o facto de termos um bebé. 
Não é fácil. O meu marido "faz das tripas coração" para conseguir arranjar tempo e energia para correr e eu, confesso, ainda não tive coragem.
Esta "corrida" foi só para a fotografia, mas quero acreditar que um dia voltarei a conseguir levantar o rabiosque do sofá e pôr-me a caminho. Veremos.

quarta-feira, 8 de março de 2017

5 coisas que te quero dizer, filha [neste Dia Internacional da Mulher e em todos os outros]


1. Que tens direito a todos os voos, mesmo àqueles que o mundo (ainda) diz que não são para nós;
2. Que não te deves contentar com aquilo que alguém decide para ti; és tu quem decide aquilo com que te deves contentar em cada momento e, para isso, trabalha e compromete-te até conseguires;
3. Que a pessoa certa para ti é aquela que te aceitar exactamente como és (e também aquela que te causar um friozinho na barriga);
4. Que és linda e ponto final, independentemente do que te digam ou do que te façam sentir;
5. Que o mundo não é sempre como a nossa casa, acolhedora e segura; mas que ajuda termos olhos acolhedores e seguros; às vezes, assistimos ao milagre do mundo a moldar-se à nossa visão.

Todos os dias são dias para seres quem és [este é mais um!]


Neste Dia Internacional da Mulher, dizer-te que podes revelar-te e seres quem és.
Podes pintar o cabelo ou deixar de o fazer, ter muitos filhos ou nenhum, trabalhares naquilo para que te preparaste tanto e receberes exactamente o que mereces, estudares até seres velha, encostares às boxes e teres quem te prepare o jantar, mudares de vida as vezes que precisares para te cumprires.

terça-feira, 7 de março de 2017

Conheces a Síndrome de Angelman?



Eu não conhecia.
A Síndrome de Angelman é uma doença genético-neurológica que se estima que afecte um em cada 15 mil bebés. Foi descoberta pelo médico Harry Angelman em meados dos anos 60 e é causada, na maioria dos casos, pela ausência ou imperfeição do cromossoma 15 herdado da mãe.
A doença desenvolve-se por volta do sexto mês de vida e manifesta-se num atraso severo do desenvolvimento psicomotor, dificuldades na fala, distúrbios do sono, convulsões e sorriso frequente, razão pela qual estes meninos são conhecidos como "anjos".
No passado dia 25 de Fevereiro foi lançado o livro infantil "Quem disse que os Anjos não têm costas?", editado pela ANGEL - Associação Síndrome de Algelman Portugal, livro que tem como objectivo a divulgação da doença e a angariação de fundos para apoio às famílias com crianças com esta patologia. 
Infelizmente, não pude ir ao lançamento, mas posso comprar o livro e dar o meu contributo.
Tu também podes.

[para mais informações, espreita AQUI!]

As nossas madrugadas são espectaculares!

A alvorada é às cinco e meia da manhã, com a pontualidade de um relógio suíço, quando o Vicente acorda para o leite da madrugada. Às seis da manhã, quando sossega finalmente, acorda o gato porque quer comida e atenção. Às seis e meia, o despertador do meu filho mais velho toca, e toca tempos a fio, porque um adolescente que se preze não se levanta à hora certa. Às dez para a sete toca o meu, e começa mais um dia sem paragens.

[para que não restem dúvidas, este post é só mesmo para me queixar. Obrigada]

segunda-feira, 6 de março de 2017

Voltar a estudar com 4 filhos [lucidez ou loucura?]



É já no dia 24 de Março que começa a minha Pós-Graduação em Mediação de Conflitos com Especialização em Mediação Familiar. Com uma carga horária de 220 horas, este será o meu grande desafio até ao final do ano (partindo do princípio que serei uma aluna aplicada!), a juntar a todos os outros desafios profissionais, pessoais e familiares que já tenho. 
Confesso-vos que hesitei no momento de me inscrever, porque tive medo de não conseguir dar conta do recado. Conheço-me e farei questão de me manter tão presente como até aqui na vida dos meus filhos e do meu marido, e sei que farei "das tripas coração" para preservar todas as nossas rotinas. Afinal, falamos de aulas quinzenais e apenas preciso de foco, planeamento e organização. Ainda assim, assusta-me voltar a estudar com este "pacote gigante" que trago às costas e no coração e receio desistir a meio ou falhar. 
Acontece que relativizei a coisa e lá me inscrevi. As aulas são só de quinze em quinze dias e não interferirão, tanto assim, na nossa rotina familiar. Para além disso, há oportunidades que não passam por nós duas vezes e aprendi com a minha mãe a importância de investirmos em nós, em qualquer fase da vida. Vi-a fazer uma licenciatura enquanto trabalhava e quando eu já era gente, e a lutar por um futuro que, mais tarde, veio a tornar-se decisivo quando se separou. Estudava até tarde, fazia trabalhos de grupo em nossa casa para poder estar comigo, transformou-se num "polvo" com braços para mim, para o meu pai, para o trabalho como professora, para dona-de-casa, para estudante...
Dessa fase da vida dela e da minha, não me ficaram as ausências, mas apenas o exemplo. E, por isso mesmo, listo o que quero deixar aos meus filhos com esta minha experiência: 
- Que nunca é tarde para fazermos o que quer que seja;
- Que é o trabalho e a perseverança que nos levam onde sonhámos;
- Que vamos sempre a tempo de aprender coisas novas e de mudar o rumo à nossa vida;
- Que o esforço compensa;
- Que as mulheres-mães têm tanto direito a cumprir-se como os homens-pais;
- Que a divisão de tarefas em casa e que a igualdade de direitos, não é dos livros, é da vida real.

[agora vou colar isto na porta do frigorífico e ler todos os dias, para matar a culpa que nasce agarrada às mulheres há muitos séculos e que nasceu agarrada a mim]