terça-feira, 14 de novembro de 2017

Já conhecem "o meu sítio do costume"?

Já está pelo Concelho de Oeiras mais uma edição do Roteiro 30 Dias, uma publicação da Câmara Municipal de Oeiras que divulga o que de melhor vai acontecendo por aqui. Mais uma vez, conta com um texto meu da rubrica Rua das Lojas, um espaço onde pretendo ir divulgando o comércio local com dicas sobre lojas, restaurantes e outros spots que frequento e que recomendo. O desta edição é a Loja da Confraria do Vinho de Carcavelos que, como explico no texto, é especial por muitas razões:

1. Porque tem boa comida;
2. Porque tem bom vinho e quem saiba recomendá-lo;
3. Porque tem memórias minhas, muitas.

Visitem a Loja e leiam o Roteiro. Não se arrependerão em nenhum dos casos :)

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Porque é que o Movimento "Mulheres de Prata" irrita alguma mulheres?[eu explico]



Os comentários mais desagradáveis que tenho tido por aqui aparecem sempre, curiosamente, quando falo da minha decisão de ter deixado de pintar o cabelo e de ter criado o grupo de facebook "Mulheres de Prata". O que parece irritar alguns leitores (leitoras, na maioria), é o facto de acharem:
1. que estou a querer catequizar alguém, 
2. que passei a diabolizar todas as mulheres que não decidiram o mesmo que eu, 
3. que acho que esta é uma decisão que pode mudar o mundo.

Comecemos pela primeira ordem de irritação:
Não quero convencer ninguém a fazer nada, porque não me julgo detentora de verdade nenhuma. Tenho o direito, sim, de partilhar uma decisão minha e se essa decisão for a de outras mulheres, porreiro encantado da vida. A criação do grupo Mulheres de Prata foi exactamente por isso: porque não quis fazer este caminho sozinha e porque percebi que muitas outras mulheres já haviam tomado a decisão, ou queriam tomá-la e precisavam de um "empurrão". A verdade é que este grupo já conta com 2494 mulheres a quem faz sentido participar num espaço onde possam colocar dúvidas e anseios, partilhar boas e menos boas experiências, ganhar coragem para parar de pintar o cabelo ou escolher que a decisão não é para elas (como já aconteceu com algumas e cujos testemunhos são igualmente emocionantes). Não quero catequizar ninguém a parar de pintar o cabelo. Na verdade, se esta minha escolha inspirar outras mulheres a pintar o cabelo às riscas porque toda a vida tiveram esse sonho, parte do meu objectivo está cumprido. O que eu quero é ainda mais ambicioso: contribuir para que as mulheres se sintam fortes o suficiente para tomar decisões em relação ao seu corpo e à sua imagem, sem que se sintam escravizadas pelos outros, pela sociedade, por quem quer que seja. Mas também quero inspirar outras mulheres a aceitar os traços do envelhecimento com generosidade e com orgulho, porque entendo que cada fio de cabelo branco, como cada ruga, contam uma história: a minha, a tua, a nossa. Quero que as mulheres parem de se criticar umas às outras, sempre com o medo implícito de perderem terreno, porque cada uma de nós é única, singular, especial, incomparável.
Que nada disto se confunda com descuido nem desmazelo. Aceitarmo-nos como vamos ficando não implica desleixarmo-nos e desistirmos de nós. Ao contrário, esta decisão corajosa requer muitos cuidados e é por isso que no grupo vamos falando sobre as cores que mais favorecem as mulheres grisalhas, a maquilhagem, os acessórios. Aceitarmos a nossa imagem não implica deixarmo-nos ir. Não. Implica a força anímica para construirmos a nossa melhor versão em cada momento, numa reinvenção constante que nos devolve identidade e que nos obriga a uma criatividade diária. Se isto tudo é possível continuando a pintar o cabelo? Óbvio que sim. Se perdemos a nossa identidade e a nossa história quando pintamos o cabelo? Claro que não. A questão é que ninguém questiona a mulher que decide pintá-lo mas, acreditem, muita gente o faz quando ela decide deixar de o fazer, principalmente quando ainda é relativamente jovem. E a minha questão reside nisto: nesta falta de liberdade encapotada.

Quanto à segunda ordem de irritação, dizer que quem lê os posts que escrevo sobre este tema terá reparado que faço essa ressalva muitas vezes. Quem sou eu para diabolizar quem quer se que seja? Logo eu, que pintei o cabelo durante mais de vinte anos! Esta foi a minha escolha, mas a ideia é que consigamos todas fazer as nossas, sem pressão de nenhuma espécie. Esta não é uma escolha para todas as mulheres, mas que seja para todas aquelas que querem fazê-lo. E que seja uma escolha sem medo do que os clientes,  colegas de trabalho, patrões, maridos e amigas vão pensar.

No que se refere à terceira ordem de irritação, perdoem-me a falta de humildade, mas quero mudar o mundo, sim. Quero mudar o mundo da minha filha, para que ela possa sempre ser aceite e acolhida com as suas características únicas e intransmissíveis. Quero contribuir, um bocadinho que seja, para quebrar alguns mitos em relação à beleza no feminino, em relação ao envelhecimento no feminino (tão diferente do envelhecimento no masculino!), e ajudar a construir um mundo onde a minha filha de cabelo branco, às cores, às riscas, às bolas, tanto faz, possa sempre ser ela própria.

Terminar este post dizendo que não é por acaso que este é o tema, de todos os que tenho abordado por aqui, que levanta mais polémica. É sinal de que a liberdade de expressão (neste caso, através do direito que temos de deixar o cabelo ao natural, sem estigma, sem culpa, sem pressão, sem opiniões que ninguém pediu), é um valor ainda em construção.

domingo, 12 de novembro de 2017

A criatividade rega-se!



A minha filha é a pessoa mais criativa que conheço. E a criatividade rega-se, como as plantas, como o Amor e como a bonsai cá de casa. 
É bom que os putos percebam desde cedo, que a Arte salva. Quanto mais cedo souberem isto, mais ferramentas terão para enfrentar o cinzentismo de alguns outros. E mais cedo entenderão este mundo doido, genial, perverso e maravilhoso em que vivemos,

[tarde passada no CAMB - Centro de Arte Manuel de Brito, Exposição Paisagens]

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Se a nossa família fosse um cartoon...


...seria assim.

[sem palavras que cheguem para agradecer à querida e talentosa Maria Santos, que soube captar-nos a essência numa ilustração]

sábado, 4 de novembro de 2017

16 anos de ti!


Há 16 anos eu e o pai estávamos na sala de partos da Magalhães Coutinho à espera que nascesses; estava difícil.
As dores eram terríveis e o pai ajudava como podia. Seguia o gráfico das contracções com uma precisão de engenheiro, dava-me a mão e avisava-me sempre que se previa a chegada de uma mais forte. No final, logo depois de nasceres, pedi-lhe um croissant com queijo, que foi buscar ao café à frente da maternidade. Terá sido, porventura, o melhor croissant com queijo da minha vida. Fizemos por ti, um trabalho de equipa e vamos fazendo isso há 16 anos, de muitas maneiras e feitios e com avanços e recuos, como todas as equipas.
A vida deu muitas voltas, mas a tua chegada fará sempre parte do lado solar da nossa história. E essa certeza, meu amor, é tua para a eternidade; e nós somos teus para o infinito.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Há famílias que precisam de ti!


A mulher por detrás deste projecto solidário chama-se Marisa Barroca e é minha amiga. Conhecemo-nos por causa do blogue e apesar de vivermos longe uma da outra, é daquelas pessoas que está à distância de uma palavra. Uma palavra sempre certa no momento certo.
Para além do seu trabalho diário, dedica-se à causa maior de ajudar famílias que nalgum momento da vida precisam de apoio, e agora pede-nos ajuda para continuar a cumprir esta missão.
Vamos fazer a nossa parte?...

terça-feira, 31 de outubro de 2017

O movimento Mulheres de Prata está a crescer!


Hoje de manhã na Rádio Renascença, com a Carla Rocha e o Renato Duarte

Há oito meses criei o grupo de facebook Mulheres de Prata, porque queria que alguém me acompanhasse na "viagem" (até ali solitária), de deixar de pintar o cabelo e aceitar os meus grisalhos. O grupo foi criado em Fevereiro e desde aí não tem parado de crescer: conta já com mais de 2300 mulheres, umas já "prateadas", outras a caminho, umas a ganhar coragem, outras interessadas pelo tema. Todas, vos garanto, investidas numa causa maior: o direito das mulheres de poderem escolher em liberdade e livres de preconceitos, a imagem que querem ter.
Tive hoje o privilégio de ir falar sobre o tema à manhã da Renascença e, por uma coincidência feliz, o movimento Mulheres de Prata está também hoje a ser referido como um exemplo de sucesso numa tese de Doutoramento sobre o empoderamento das mulheres na blogosfera, na Universidade de Sevilha, pela querida Susana Wichels.
Quero acreditar que isto pode crescer, que podemos ser muitas mais e que através da "simples" aceitação do nosso cabelo, podemos derrubar preconceitos, quebrar barreiras e rever alguns tabus sobre a beleza e o envelhecimento das mulheres. Quero acreditar que todos nós podemos fazer a nossa parte, por mais pequena e às vezes ridícula que possa parecer, basta acreditar e fazê-lo com o coração. E agora perdoem-me a lamechice, mas a energia boa que recebo todos os dias das mulheres de prata do grupo, é a prova provada de que juntas somos mais fortes e podemos tudo.

domingo, 29 de outubro de 2017

Sunday blues


Desde miúda que os finais de dia de Domingo são angustiantes. Antecipavam o início da semana na escola, um espaço que durante muito anos foi hostil. Era gozada pelas meninas da turma porque estava careca (depois de um acidente de viação que tive com a minha mãe, aos 7 anos), tinha psoríase no corpo todo e passava o tempo a chorar, razão pela qual era conhecida como a "mariquinhas pé de salsa". A fragilidade que mostrava a toda a gente, todos os dias a todas as horas, fazia de mim um alvo fácil, e talvez tenha sido por isso ou por outra razão parva qualquer, que fui várias vezes empurrada para a casa-de-banho para me baixarem as cuecas e que ouvi muitas vezes que era feia, cheia de crostas nas pernas, nos cotovelos e na cabeça, para além das partes do corpo que não se viam, mas que eu conhecia de cor. Vomitei muitas manhãs e sempre que via o carro amarelo da minha mãe a afastar-se do portão da escola, achava que iria morrer de medo e de solidão.
Hoje, trinta e tal anos depois, os Domingos ainda são um bocadinho angustiantes. E embora já não vomite nem ache que vá morrer de solidão, tenho a minhas solidões durante a semana, os meus fantasmas (uns mais humanos que outros), a mesma sensação de desamparo. Agora sei que apesar dos anos, da terapia e da felicidade que a minha vida me tem oferecido, há marcas que moram comigo para sempre, adormecidas, mas prontas a assomar à porta à primeira oportunidade.
Então, deixo aqui esta foto de felicidade para me lembrar que se não morri de solidão nem de medo aos 10 anos, não é agora que vou morrer. E para recordar a mim própria que o optimismo é contagiante e que a vida se encaminha naturalmente para o Bem. Basta termos a coragem de nos deixarmos ir.  

[boa semana!]

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Este post é para todas as Mulheres que ainda não sabem quão lindas são!


Há pouco tempo usava pestanas postiças, gelinho nas unhas e tinta vermelha no cabelo. Numa outra vida cheguei a usar rabo de cavalo postiço, pus unhas de gel (incendiei uma delas a acender a vela do bolo de aniversário do meu filho mais velho!) e descolorei ao cabelo porque queria ser igual à Alexandra Lencastre. Se formos por aí, fui ruiva por causa da Julia Roberts, fiz uma permanente (na altura em que tinha o cabelo mais liso) para me parecer com a minha vizinha de baixo e um alisamento (quando o cabelo encaracolou depois das primeiras três gravidezes), porque quase todas as minhas amigas tinham cabelo liso, escova progressiva, alisamento marroquino, realinhamento térmico-capilar, alisamento a laser ou infravermelho e outros procedimentos cujos nomes são dignos de filme de ficção científica.
Sempre quis ter um estilo próprio e andei à procura dele muitos anos, mas só recentemente percebi que partia sempre da premissa errada: não era o meu estilo que procurava, mas o das mulheres que admirava por alguma razão e com quem me cruzava nalgum momento. Uma busca que se revelou cansativa, ridícula e estéril e que culminou no dia em que disse à minha filha que ela não se devia envergonhar dos seus cabelos encaracolados, que eram lindos, e ela me perguntou, então, porque que razão esticava eu os meus. Fiquei sem pio e decidi parar de alisar. E acho que esse foi o primeiro passo para a aceitação da "matéria-prima" de que dispunha e com a qual (tal como pregava à minha filha), teria que lidar a vida inteira: o meu corpo, o meu cabelo, o "pacote" todo.
Mas não me interpretem mal. Não desatei, repentinamente, a diabolizar todos os artifícios a que recorremos para melhorar alguma coisa em nós, para aumentar a auto-estima, ou simplesmente, para mudarmos. Continuo a defender que é tudo legítimo, assim nos sintamos confortáveis. Continuo a ter amigas que insistem em alisar o cabelo e que só se sentem elas próprias daquela maneira, e ninguém tem o direito de questionar isso em nome de nenhum tipo de fundamentalismo. Mas também acho que há um trabalho de aceitação a fazer, a começar pelos nossos filhos e (perdoem-me a discriminação), pelas nossas filhas! A minha tem uma imagem diferente da maioria das coleguinhas da escola, fora dos estereótipos, e tem sofrido com isso. Continua a sofrer com isso. E só há uma maneira de resolver a questão: empoderá-la. Dizer-lhe as vezes que forem precisas que ela é única, que somos todos, e que é essa característica que enriquece cada um de nós e o mundo inteiro. Dizer-lhe que ela pode esticar o cabelo, um dia, e pintá-lo de todas as cores do arco-íris, mas sem nunca se esquecer que também é linda assim, tal como é; e que essa certeza é a maior liberdade delas todas. É como quando chegamos a casa e nos sentimos num porto seguro; o nosso corpo também pode sê-lo, façamos com ele o que quisermos, mas sabendo que lhe poderemos voltar um dia. E que nos reconheceremos.

[este post é para ti, filha. Para quando cresceres mais um bocadinho]

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Também queres ser Mediador Familiar?


Há quase um ano decidi voltar a estudar e inscrevi-me na Pós-Graduação em Mediação Familiar da Red Apple. Já conhecia a coordenadora do curso, a Ana Varão, tinha lido vários testemunhos sobre a qualidade da formação e dos formadores e achei que era o momento certo para mergulhar, ainda que com algum esforço pessoal e familiar, já que o curso passaria a ser dois dias por semana, quinzenalmente.
Praticamente a dois meses de o terminar, olho para trás já com nostalgia, porque para além dos conteúdos e da imensidão de coisas que tenho aprendido, ganhei família. Sei que soa a lugar comum, mas foi o que aconteceu. A qualidade e a proximidade dos formadores é desconcertante e a cumplicidade que ganhei com os colegas é algo que não esperamos encontrar aos 43 anos. Alguém me dizia que não se fazem amigos a partir de certa idade, mas não é verdade. Depende da sorte e do que fazemos com ela. Depende das pessoas.
Parece que não tem nada a ver, mas relaciono isto com uma frase do Mia Couto que ontem uma grande amiga me mandou num SMS:
"(...) Queixamo-nos de que as pessoas não lêem livros. Mas o deficit de leitura é muito mais geral. Não sabemos ler o mundo, não lemos os outros (...)".
Ora tive a sorte de, neste grupo de luxo, me ver rodeada de gente que lê o mundo através das pessoas. Que lê nas entrelinhas, nas palavras ditas e nas não ditas, nas rugas da cara, aquelas que se fazem das gargalhadas que demos e dos desgostos que tivemos, gente que lê a vida muito para além das aparências. E se a isto tudo juntarmos uma equipa de formadores que mexe connosco, que nos imprime dúvidas, mais do que certezas, porque  é com as dúvidas e menos com as certezas que a magia da aprendizagem acontece, então isso é uma sorte danada.

A 11ª Edição da Pós-Graduação em Mediação de Conflitos com especialização em Mediação Familiar está à porta! Em Lisboa tem início a 26 de Janeiro e em Coimbra, a 19 de Janeiro. São 220 horas de formação e habilita quem terminar o curso com aproveitamento ao exercício da actividade de Mediador Familiar. E se se avançar de alma e coração, garante um mergulho sobre nós próprios; o melhor e mais útil deles todos.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Alunos de Apolo


Voltar ao sítio onde fui infinitamente feliz. Onde fiz amigos para a vida. Onde voei, apesar do medo de cair. Onde percebi que os preconceitos são construções da nossa cabeça. Onde me apaixonei pela primeira vez. Onde descobri que não há voos sem medo e que o medo que não paralisa, é dos bons.
Voltar ao sítio onde fui infinitamente feliz; com ela agora: esta dançarina em construção.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Mudança de estação, mudança de calçado!*


[Foto aos pés da Vitória, pela avó Ju]

A minha filha é a "princesa da ervilha dos pés". São poucos os sapatos que não lhe fazem doer, os que não lhe provocam bolhas, ou que não a incomodam de todo. De modo que quando recebemos esta prenda da Pisamonas, achei que a coisa iria correr mal. Botas lindas, é certo, glitter a perder de vista, ao melhor estilo da minha filha, também é certo, mas o que fazer com os queixumes constantes sempre que muda de calçado?
Dizer-vos que me enganei redondamente e que se a Vitória pudesse, dormiria com as botas calçadas. Aliás, insiste em usá-las mesmo numa época em que as estações do ano estão trocadas e em que o Outono mais parece Verão! E também insiste em usá-las nos dias em que tem Educação Física na escola, mesmo que saiba que é mais prático ir já de ténis calçados e pronto.
Vamos pôr as coisas assim: a minha filha é uma espécie de detector humano de calçado desconfortável levado ao extremo. E não faz fretes, o que quer dizer que se não gostasse, nunca calçaria.
À Pisamonas, o meu obrigada pelas botas, pelas sabrinas de princesa, e por me terem resolvido um problema.
Aos leitores deste blogue que tenham em casa "príncipes e princesas da ervilha dos pés", vejam estes modelos e deslumbrem-se...







E para conhecerem toda a nova colecção Outono-Inverno 2017 da Pisamonas, espreitem este vídeo lindo...

*post escrito em parceria com a Pisamonas

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

As minhas dicas para desacelerar!


Ando há muito tempo a pensar em desacelerar um bocadinho, mas a vida não deixa. Ou então sou eu que não deixo e desculpo-me com a Vida, esse ente incorpóreo que por não ser feito de matéria nenhuma (ou por corporizar todas as matérias!), serve de bode expiatório para todos os nossos males e para todos os nossos defeitos.
Deito-me à noite tantas vezes frustrada com esta minha inabilidade para respirar fundo e deixar a coisa fluir, mas depois descubro que estou a ser demasiado exigente comigo própria, porque há pequenas estratégias que vou tentando fazer para parar; é que às vezes, é mesmo preciso parar.

Partilho convosco dicas simples que me vão permitindo respirar fundo e que me salvam tantas vezes:
- Aproveitar alguns finais de dia durante a semana para caminhar; O Vicente vai comigo no carrinho e os outros filhos vêm sempre que lhes apetece e que podem;
- Reservar uma parte do serão para fazer o que me apetece: ler, escrever, ver uma série qualquer; encarar isto como um direito e não como uma concessão que faço a mim própria;
- Permitir-me o gozo da preguiça sempre que posso, mesmo que isso implique não estender a roupa assim que ela acaba de lavar e não obcecar com a arrumação; delegar tarefas nos miúdos é o meu desafio do momento;
- Aproveitar o que a zona onde moro tem para oferecer e andar a pé sempre que posso: fazer compras localmente, usufruir dos espaços verdes à volta, fruir do espaço público e do comércio local como nunca antes;
- Falar baixo em casa, mesmo quando só apetece disparatar; juro que requer treino, mas vale a pena (baixamos todos o tom de voz, é contagiante e poupa energia vital!);
- Planear as refeições com ementas semanais (poupa tempo e dinheiro e contribui para um plano alimentar mais equilibrado);
- Dormir cedo (antes da meia-noite, quero dizer!), porque nunca sei quantas vezes acordo por noite e despertar às seis da manhã está sempre garantido;
- Desconectar-me das redes sociais ao serão (ponho o telemóvel no silêncio ou longe da vista para resistir à tentação; faz bem aos graúdos e, principalmente, dou o exemplo aos miúdos);
- Seleccionar com precisão suíça as solicitações que nos vão chegando; deixar "de ir a todas"; aprender a dizer "não" e matar a culpa;
- Visitar o mercado biológico da minha zona todos os Sábados para abastecer o frigorífico de coisas saudáveis (acalma-me o espírito!);
- Viver um dia de cada vez, seleccionando pensamentos tóxicos (se o futuro assusta um bocadinho, só há uma hipótese: viver o presente!);
- Ser feliz na maior parte dos dias.

domingo, 15 de outubro de 2017

Sonhei contigo esta noite!


Voltei a sonhar contigo esta noite. Olhavas-me cego, como se não me visses, e nessa cegueira eu não te reconhecia. Disseste-me, sem nenhum tremor, que já não me amavas, que tudo se havia perdido e que nós já éramos um passado longínquo. No princípio não quis acreditar, mas a tua voz soava firme e o teu rosto mantinha-se impávido como uma pedra. Não te reconhecia nessa altivez e nessa certeza assustadora e lembro-me que deixei cair uma lágrima; uma única, porque a tua frieza não me permitiu mais nada. Nem um adeus. Nem um amei-te demasiado. Nem um  foste a mulher da minha vida. Nem um tenho pena que isto nos tenha acontecido. Simplesmente mantiveste-te impassível, como se não entendesses o desgosto que a minha pele desenhava sobre ti. Como se não entendesses nada. Como se nunca nada, entre nós, tivesse acontecido.
Afastei-me devagarinho, ferida de morte por dentro. E tu; tu nunca olhaste sequer para trás.

Acordei e aninhei-me a ti. Senti o teu calor e o teu cheiro da noite, senti os teus pés a tocarem os meus, como de costume. Nenhum sinal daquele "tu desconhecido" do meu sonho. Nenhum sinal daquele pesadelo que, mais coisa menos coisa, me persegue desde que estamos juntos.
Volto a fechar os olhos contigo agarrado à minha cintura. E adormeço com o mesmo medo de sempre: o de te perder. Pior que isso, medo de ter sido enganada pela Vida, que me ofereceu de bandeja o Amor.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Não pinto o cabelo há 9 meses!


Não pinto o cabelo há nove meses. O tempo de uma gravidez. O tempo que dura a mudança de chip sobre tantas coisas. O tempo de pousio para integrar, interiorizar e estabilizar. São nove meses de certezas sobre esta decisão, porque tenho o cabelo infinitamente mais saudável, porque poupo tempo e dinheiro e porque me olho ao espelho e me reconheço.

[se te queres juntar a nós ou, simplesmente, começar a pensar sobre o assunto, junta-te ao grupo de facebook, Mulheres de Prata]

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Ter um filho é um desporto radical!


Foi há um ano e meio que a nossa vida mudou radicalmente. E não uso o termo "radicalmente" de forma leviana, porque acho mesmo que ter um filho é das coisas mais radicais que podemos fazer na vida. Mais que saltar de pára-quedas, subir o Evereste, correr uma maratona ou emigrar. Se pensarmos bem, ter um filho é a única decisão que é para a vida, e também é a única que liga pessoas para a eternidade, porque independentemente do que lhes aconteça enquanto casais, elas ficarão unidas pelo "simples" facto de serem pais; essa espécie de estatuto que se sobrepõe a todos os outros, porque é vitalício; uma tatuagem no coração e na alma e no corpo todo.
Passado este tempo, meu amor, temos passado por algumas mudanças: o crescimento do nosso bebé e tudo o que isso implica e a ida para o outro lado do mundo do pai dos meus três filhos mais velhos (teus filhos do coração) com as alterações na dinâmica familiar que isso também implicou. E por mais que todos os dias (literalmente todos os dias!) façamos um esforço para não nos esquecermos de que existimos enquanto casal, é difícil. As solicitações são gigantes e constantes e o cansaço não ajuda. Quantas vezes prometemos um ao outro que depois dos filhos na cama vamos namorar, beber um copo de vinho ou ver uma série qualquer, e nos deparamos com a incapacidade física de nos mantermos acordados para trocar três frases seguidas? É frustrante, eu sei, mas sabes a parte boa? Enquanto sentirmos falta um do outro é bom sinal. Enquanto tivermos saudades de estarmos só os dois, quer dizer que  estamos alerta e estar alerta é simplesmente continuar a querer o pacote todo: a falta de tempo, os beijos de raspão, as conversas interrompidas a meio, a casa em estado de sítio, os amuos e as birras. E depois, o resto, a fatia maior, tudo aquilo que, afinal, nos mantém perdidamente apaixonados.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Felicidade pura!


Quando me separei do pai dos meus três filhos mais velhos tive muito medo. Por eles, por mim e por tudo aquilo de que largava mão. Ficaram amigos para trás, pessoas queridas, família eterna dos meus filhos que deixava de ser a minha, rotinas confortáveis, gente boa que magoava sem querer.
Passados alguns anos, um segundo casamento, um quarto filho, um punhado de amigos novos e outros antigos e eternos, e uma família ganha, olho para esta foto e tenho certezas. Só certezas.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Todas as mães são bipolares!







E depois do caos, há dias destes; dias em que conseguimos pôr tudo em perspectiva; dias em que todas as pragas que rogámos à vida, todos os gritos, todas as lágrimas e todos os "arrependimentos" se desvanecem, e se transformam em melodramas de filme de Domingo à tarde.
Só até à próxima, claro, que todas as mães são um bocadinho bipolares...

sábado, 7 de outubro de 2017

Mãe politicamente (in)correcta!

[a nossa cozinha, depois de um tornado chamado "Vicente"]

Todas sabemos que ser mãe é a melhor coisa do mundo, que os filhos são-o-nosso-ai-jesus, que são cansativos mas que não conseguiríamos viver sem eles, que nos dão as maiores alegrias, que nunca mais somos as mesmas depois de parir, enfim, todas nós somos mais ou menos contaminadas com estes pensamentos-mito, que tantas vezes nos toldam a razão e nos arrasam o coração, tal a culpa em que andamos quando não sentimos nada disto... muitas vezes, convenhamos.
Quem nunca se sentiu arrependida de ter filhos que atire a primeira pedra, quem nunca teve vontade de emigrar no caos da maternidade que atire a primeira pedra, quem nunca chorou baba e ranho fechada na casa-de-banho que atire a primeira pedra, quem nunca achou que  a vida tinha acabado com o nascimento de um filho que atire a primeira pedra, quem nunca imaginou uma vida paralela à escolha da maternidade que atire a primeira pedra. Eu não posso atirar nenhuma, porque embora seja muito feliz com os meus quatro filhos, também sou o meu inverso muitas vezes: aquele reverso da medalha em que me sinto miserável, exausta e invadida no tempo e no espaço a todo o momento.
Este blogue pode não servir para nada para quem está aí desse lado, mas para mim, é um divã. Obrigada.

PS: Com o devido respeito, não me venham dizer que é mesmo assim, que há dias piores que outros, ou aquela pérola "foste tu que escolheste". Sim, fui eu que escolhi e ainda bem; quanto ao resto, sei isso de cor e salteado vezes quatro. Sem qualquer ironia, ajuda se puserem corações, aquelas mãosinhas de força e tudo o que quiser dizer "estou solidária contigo". O resto, esqueçam. Obrigada.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Pai, (pai)drasto e outros amores!


Já te conhecia no papel de (pai)drasto. Conhecia a tua generosidade e essa capacidade de amares incondicionalmente; de te entregares a circunstâncias que não fizeste acontecer, mas que acolheste sem pestanejar. 
Conhecer-te, contudo, no papel de pai é outra coisa, ainda. É outro papel, outro deslumbramento, outra descoberta. E fazer parte (também) disto contigo, é mais um privilégio.