domingo, 14 de janeiro de 2018

Dois truques para sobreviver ao caos!


Não tenho tido tempo nem vontade de escrever. Ando cansada e com a energia focada em duas únicas coisas: dar resposta ao desafio profissional a que me propus e não deixar que a minha família saia muito penalizada com isso. Este esforço consome-me os dias e as noites até normalizar, porque quando deito a cabeça na almofada culpo-me por tudo aquilo que deixei por fazer: os mails pessoais e do blogue a que não respondi, os amigos a quem não retornei a chamada, os projectos que ando a deixar parados, os posts que não escrevo, tudo aquilo que tenho deixado em suspenso quando a vida nos troca as voltas e nos mostra, por a+b, que nem sempre adianta fazer planos.
Não tenho a certeza de que a vida se resolva sozinha, como diz a minha amiga Catarina ,mas sei que ela anda sozinha, tantas vezes à nossa frente, sem lhe entendermos o sentido. O truque é correr-lhe atrás, que um dia percebemos tudo.
Outro truque? Não querer ser tudo nem fazer tudo. Embora isto pareça uma triste constatação, é um tremendo alívio.

[enquanto tenho dificuldade em vir ao blogue diariamente, acompanhem-me @aqui!]

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

A minha Vitória


Esta foto é para a minha filha. Para que se ponha boa depressa, porque é o meu mundo, a minha princesa, a minha Vitória.

domingo, 7 de janeiro de 2018

Tudo o que és.


És a minha calma e o meu desassossego, a minha prisão e a minha liberdade, o meu motor e o meu travão, a minha casa e o meu hotel, a minha salvação e a minha perdição, a minha fraqueza e a minha força, a minha loucura e a minha lucidez, a minha verdade e a minha mentira, o meu sossego e a minha incerteza, a minha calma e o meu desassossego, a minha vida e a minha morte, a minha casa de partida e a minha casa de chegada, o meu direito e o meu avesso, o meu yin e o meu yang, a minha luz e a minha sombra. És o meu Amor. Sem contrários.

domingo, 31 de dezembro de 2017

2017, último dia...

Pau Storch Photography
2016 foi o ano da maternidade. O ano em que estive grávida, pari, fiquei de molho. Foi um ano de doçura, de mimo, de vida lá fora em suspenso.
Ao contrário, 2017 foi a transição à bruta. Foi o ano do regresso ao trabalho, o ano que o meu bebé foi para a creche à pressa, o ano das viroses a torto e a direito, o ano das novas rotinas numa família ainda mais numerosa. E também foi o ano em que mudei de funções no trabalho e em que de uma vida em suspenso lá fora, passei para a roda viva da vida, a girar incessantemente sem que a consiga parar sempre que preciso.
Não sei como vai ser 2018. Antevejo muitos desafios, mas acredito que o maior deles todos será este equilíbrio entre a minha vida rica de dentro e a de fora, exigente, rápida, esmagadora. 
Que este novo ano me ensine ainda mais coisas sobre mim própria. E que me saiba pôr no lugar, se precisar. Docemente.

[feliz 2018 para todos!]

sábado, 30 de dezembro de 2017

Em 2017...



...deixei de pintar o cabelo e "grisalhei";
estive em Praga com o homem da minha vida;
toquei piano na rua;
criei o grupo de facebook Mulheres de Prata e descobri mais de 2000 seres-humanos maravilhosos;
fui entrevistada na Renascença;
mudei de vida outra vez;
fiz três carecadas radicais;
conheci uma Mestre de carne e osso;
aceitei um desafio de que andei a fugir a vida toda;
fiz uma pós-graduação em Mediação Familiar;
reconciliei-me com fantasmas;
larguei mão do que pensava que seria o meu destino;
não fui capaz de acabar o meu livro;
fui à Feira do Livro cinco vezes;
li Duras, Yourcenar, Agustina e Clarice Lispector pela primeira vez;
trabalhei com famílias refugiadas e cresci mais um bocado;
cruzei-me com o Joaquín Cortés em Madrid;
vi o meu bebé curar-se de uma plagiocefalia;
saltei para o abismo e não morri;
fui anfitriã da Primeira Dama de Cabo Verde;
fui mãe vezes quatro 1 ano inteiro e sobrevivi;
morri e renasci várias vezes.

[Feliz 2018!]

sábado, 23 de dezembro de 2017

Há quanto tempo é que não passeávamos juntos?


Há mais de um ano que não passeava por Lisboa com o meu marido. Só os dois, sem carrinho de bebé para empurrar, sem horários para cumprir, sem ter de procurar um restaurante kids friendly, sem entrar numa loja enquanto o outro dá voltas na rua para o puto não chorar.
Estarmos só os dois, ao nosso ritmo, metidos na nossa vidinha, é uma proeza cada vez mais rara, mas continua uma demanda nossa. Quero dizer, não é porque o fazemos menos vezes que vamos ficando com menos vontade de o fazer e isso dá-me alento. Eu que sempre fui descrente em relação à duração brilhante das relações. Logo eu, que sempre achei que ao fim de pouco tempo tudo se desvanecia tristemente, a tesão, a vontade de estar com, o prazer, o interesse genuíno no outro.
A rotina é demolidora, com franqueza. Mas o Amor bem regado gosta da rotina, porque a chama a si com uma certa graça e com uma boa dose de ironia. A rotina pode ser boa, quebrada de longe a longe.

[boas festas!]

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Conciliação entre o trabalho e a família: uma miragem?



Há exactamente 17 dias que a minha vida mudou. Assumi novas funções no sítio onde trabalho e com elas vi crescer a responsabilidade, o trabalho e o medo de perder a minha vida tal como a conhecia. 
Ainda não sei dar resposta a esta última questão, mas sei que já muitas coisas mudaram. Na verdade, estas duas semanas têm sido um misto de entusiasmo, de pânico e de alguma dor, porque embora goste de mudanças (e a minha vida tem sido feita de muitas), também sofro com elas, que ninguém está livres das dores de crescimento.
O meu maior desafio tem sido a conciliação; esse chavão bonito que cai bem em congressos e em textos sobre a igualdade de género e sobre as novas formas de viver o trabalho e a maternidade, mas que na prática é lixado de alcançar, porque nos sai do pêlo. A conciliação é possível, mas com franqueza, deita-nos abaixo. Eu faço assim: em vez de ficar até muito tarde no meu local de trabalho, opto por fazer o que tenho a fazer em casa, mas só depois de preparar o jantar, de jantar com os miúdos, de conversarmos sobre o nosso dia, de adormecer o Vicente e de namorar um bocadinho. É depois disso que começa a terceira parte do meu dia que, não raras vezes desde há 17 dias, acaba por volta da uma da manhã. Concilio tudo, se formos a ver: sou profissional, mãe, mulher e amante, tudo no mesmo dia. Mas sou isso tudo com olheiras até ao joelhos e com um cérebro amassado, imagino que o panorama da maioria das mulheres que estão aí desse lado.
Não me queixo, porque gosto muito do que estou a fazer. Gosto, até mais, do que alguma vez imaginei. Mas não me lixem com a treta da conciliação, que ela só se consegue por duas razões: porque nós somos super-mulheres com artes de canivete suíço e, no meu caso, porque tenho um super-homem ao lado e uma família que me ampara sempre. 
A conciliação é só isto: ter flexibilidade para fazer o salto encarpado todos os dias, e ter a sorte de não estarmos sós.

sábado, 16 de dezembro de 2017

Fechar ciclos faz chorar e faz crescer!


Acabou hoje a minha Pós-Graduação em Mediação Familiar na Red Apple. Em Janeiro e Fevereiro ainda terei uns trabalhos para apresentar, mas esta turma não se reunirá mais.
Tenho 43 anos e já acabei muita coisa, já fechei muitos ciclos, já completei muitas gestalts. Mas hoje sinto-me orfã desta espécie de irmandade. Um vazio fininho, uma nostalgia agridoce, situada algures entre o privilégio destas pessoas terem entrado na minha vida numa fase em que achamos que já ninguém nos marca desta maneira, e um sentimento de perda estúpido.
Hoje não consigo dizer grande coisa, porque ainda não me apetece. Dizer-vos, apenas, que nesta viagem conheci verdadeiras heroínas de carne e osso e ganhei a minha guru; uma mulher baixinha que se agiganta, porque tem o dom de dizer coisas que nos mudam por dentro num tiro certeiro.

Já tenho saudades vossas. Do bolo de limão, do amontoado de livros na casa-de-banho, das idas à Padaria Portuguesa, das confidências, dos podcasts que ouvia a caminho da Red Apple. Tenho saudades vossas, basicamente é isso.
A vida é uma merda, porque nos obriga a acabar coisas quando ainda não estamos preparadas para lhes dizer "fim". Ou se calhar estamos e ainda não sabemos.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Culpa e Conciliação: duas faces da mesma moeda!


Há dois meses que andamos entre otites, amigdalites e, mais recentemente, bronquiolites. A saga das "ites" traz muitas noites em claro, muitas idas à pediatra, muitos euros em medicamentos, muitas olheiras, muitas faltas ao trabalho, muitas acrobacias para tentar tornar a conciliação entre a vida familiar e profissional uma realidade efectiva e menos um conceito puramente teórico.
A verdade é que as mães que trabalham fora de casa com filhos pequenos sabem do que falo; desta constante sensação de estarmos sempre em falha com alguém ou com alguma coisa: com os filhos doentes, com a família que aguenta o barco quando pode, com as chefias a quem temos de ligar pela décima vez a informar que temos mesmo que faltar, com os colegas que (quando temos sorte e eu tenho tido), aguentam o tranco das nossas ausências.
Esta é a realidade pura e dura das mães com filhos pequenos que trabalham fora de casa. Uma culpa e uma ginástica constantes, um sentido do dever na família e no trabalho que nem sempre se concilia apesar dos chavões da "conciliação", um equilibrismo tantas vezes desequilibrado entre duas facetas da vida que se atropelam muitas vezes.
No meu caso, manter o equilíbrio seria impossível sem o apoio incondicional do meu marido, pai do Vicente e pai do coração do Duarte, do Vasco e da Vitória, nem sem o dos avós maternos, paternos e do coração que os meus quatro filhos têm a sorte de ter. A todos eles, o meu obrigada por poder dizer "sim" ao desafio de dar um passo à frente na carreira. Sei bem que nada se faz sem ajuda, e preciso muito da vossa para gerir as rotinas e a culpa de não estar sempre lá.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

O Outono da minha mãe



A fotografia é da minha mãe e traduz o Outono que eu gosto. Mais que isso, traduz o imenso orgulho que tenho nela, que se reencontrou numa fase em que quase ninguém tem coragem de se reinventar.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Sair da zona de conforto




Sair da zona de conforto implica uma boa dose de coragem e de loucura. Implica olhar o medo de frente, segurá-lo pela mão e ter jogo de cintura para umas vezes deixar que ele nos guie e para outras, deixarmo-nos guiar por ele; sem tretas do género "ah, eu não tenho medo de nada" ou "isto é tão fácil como beber água!". Às vezes não é e não faz mal.
Sair da zona de conforto implica ser humilde para aprender o que não se sabe ainda e ser seguro para fazer o que se sabe bem. E implica viver bem com os dois lados da mesma moeda, sem falsas modéstias nem complexos de inferioridade. E também implica conviver com o caos durante um tempo; o tempo que é preciso até tomar o pulso a uma vida nova, até ganhar tempo para voltar a respirar fundo, até nos apropriarmos de uma existência diferente. E boa.
Sair da zona de conforto implica ter uma zona de conforto para onde voltar todos os dias, sem excepção. Implica ter rede, ter um ninho, ter colo e mimo e paz num sítio qualquer. Implica ter onde recarregar baterias, onde carpir mágoas, lamber feridas para voltar à vida lá fora.
Sair da zona de conforto implica pedir ajuda a quem se confia e aguentar firme em terreno pantanoso. Implica aprender a separar o trigo do joio e viver bem com isso.
Sair da zona de conforto implica ter vida que nos sustente, família, amigos, gente que nos acolhe no matter what. E implica lucidez para estabelecer limites e para ultrapassá-los só quando vale mesmo a pena.
Sair da zona de conforto implica lidar com a crítica dos outros e de nós próprios sem desabar. E implica distinguir claramente a que constrói da que derruba. 
Sair da zona de conforto implica precipícios diários, pontes diárias, perdas e ganhos. E implica distanciamento para ganhar perspectiva.
Sair da zona de conforto implica um exercício de humildade constante e a certeza absoluta de que há vitórias que nem sempre acrescentam e fracassos que, às vezes, são milagres.
Sair da zona de conforto é uma viagem do caraças que dói, que constrói, que destrói, que fortalece. É a vida.

domingo, 26 de novembro de 2017

Dos sinais [neste Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres]

Há uns anos tive um namorado que me levantou a mão porque ao servi-lo, deixei cair um bocado de comida na toalha de mesa. Achava eu que o amava perdidamente e acho que à minha maneira da altura, amava-o perdidamente, sim.
A mão levantada que não chegou a cair na minha cara mas que caiu definitivamente na minha alma, foi o gatilho para perceber que não poderia mais permanecer naquela relação que, aliás, já tinha dado sinais de pouca saúde. Sinais que até ali, até àquele exacto momento em que a sua mão quase desceu sobre mim, escolhia sempre esquecer.
É por causa desses sinais que escrevo este texto. Porque normalmente eles existem sempre, mas nem sempre escolhemos atendê-los, investidas que estamos num pretenso amor, numa pretensa culpa, num pretenso desamor próprio, numa pretensa esperança de que algo mude, numa pretensa ilusão que pode sair-nos cara. Demasiado cara.
Os sinais, aqueles mini acontecimentos a que escolhemos não dar importância mas que despertam o nosso instinto de auto-protecção, são o que nos pode salvar de um destino de merda. E seja por orgulho próprio, por medo, pelo que for, vale a pena escutá-los, acolhê-los e dar o salto. Dar o salto sempre. Por nós e por tudo aquilo que ainda merecemos viver.

sábado, 25 de novembro de 2017

Uma proposta indecente

Só conhecia o Pedro Rolo Duarte dos jornais, da televisão e da rádio mas, à descarada, mandei-lhe um mail com o assunto "uma proposta indecente" a convidá-lo para escrever o Prefácio do livro "As Mulheres Não Sabem Estar Caladas" que, em 2014, publiquei com duas amigas e que era a compilação de textos dos blogues que cada uma escrevia. Esperávamos uma resposta negativa politicamente correcta, mas ao contrário recebemos um "sim" e um convite para um café a quatro, para perceber melhor o que esperávamos dele. Encontrámo-nos na Pensão Amor, mortas de nervos, tomámos um gin, não nos calámos (como o livro prometia) e apaixonámo-nos pela simplicidade e generosidade do Pedro. 
Passado pouco tempo, recebi um mail seu com o Prefácio que agora publico aqui, e com a indicação de que poderíamos "(...) editar, cortar, ou mesmo deitar fora (...)".
Esta foi a generosidade do Pedro com três mulheres que não conhecia de lado nenhum. Uma generosidade que acabou por se estender à apresentação do nosso livro no dia 8 de Maio de 2014 (na véspera do meu casamento), e no testemunho que deu a um programa de rádio em que fomos entrevistadas e que nos pôs às três a chorar.
Este Prefácio é o legado que me deixou a mim, à Carla e à Ana e este post é o singelo agradecimento que lhe deixamos (acho que posso falar em nome das três)...

"Prefácio

E se elas se calam?

Até conhecer a Ana Almeida, a Carla Rocha e a Marta Moncacha, eu achava que as mulheres não sabiam estar caladas. Agora que as conheço, tenho a certeza. E isso é bom, porque convoca, inspira  e compromete o livro que tem entre mãos.
Ora, a primeira virtude deste livro reside nele mesmo: o leitor só as deixa falar quando quer, quando lhe apetece. Elas estão ali, à mão de semear, mas obedientes ao dono do livro, que o lê ao seu ritmo, no seu tempo. Parece misógino? Talvez seja. Mas também é verdadeiro: este livro é seguramente o único momento em que estas três mulheres se deixam ficar.
No resto, basta lê-las para se entender o que senti quando as conheci pessoalmente: não se calam nem se deixam ficar. E essa é a qualidade que as distingue, que as fez chegar a um livro, e que me derreteu sem dó nem piedade.
Quis o destino que as três se encontrassem. Primeiro, na mesma geração, com vivências semelhantes, com um sentido de humor próximo, com cumplicidades em dose generosa - ainda que com todas as diferenças, como a cara de qualquer um de nós: sinal aqui, ruga acolá, dente mais afastado, queixo mais afilado. Depois, quis (também) o destino que se encontrassem no mesmo local de trabalho e, por fim, na mesma plataforma - a blogoesfera. Se fosse combinado, não correria tão bem: aos poucos, em cada um dos seus blogues, foi nascendo um conjunto de ideias, de textos, de desabafos, de observações, que se complementam e completam, e que até quando se opõem acabam por se amigar. Sendo um livro com seis mãos, tem na verdade uma única - a mão comum destas mulheres tão diferentes e, afinal, tão próximas
O que primeiro me atraiu (confesso: só conhecia um dos blogues até ser desafiado para este texto) foi a atitude e a pose das autoras: despojadas, simples, com um apurado sentido de humor. Falam de coisas sérias, mas não se levam demasiado a sério. Sabem rir de si próprias, mesmo no meio do caos e da desgraça. São pessoas comuns nas suas vidas - mas incomuns e extraordinárias, porque têm a capacidade de transformar o óbvio do dia-a-dia em textos, exclamações, crónicas, que nos deixam ora a rir, ora a pensar, ora com uma pontinha de comoção, até mesmo com uma saudável inveja.
O amor da Marta deixou-me com saudável e doce inveja, e foi essencial para alguns dias mais cinzentos. Como ela escreve, há sempre quem precise de saber que exista. Às vezes, para ganhar balanço e saltar. E saltando, encontrei-me com a Carla na esquizofrenia que é a modernidade, e que sinto diariamente: Comprei o jornal i por causa da Assunção Esteves e o Blitz por causa do Nick Cave. Insanidade ou mundo interior? Tombo para a primeira. Tombando e tentando endireitar-me, revi-me nas palavras da Ana: Nem sempre são os choros que fazem mais barulho. Há silêncios piores.
Sou homem mas nem por isso deixei de me identificar, de me rever, e de ter vontade de telefonar a qualquer delas para lhes dizer “é que não é mesmo nada disso, ou podia ter sido escrito por mim. Este livro tem esse efeito: parece nosso, sendo delas, página a página, nos encontros e desencontros que qualquer leitor tem com a Ana, a Carla, a Marta. Juntas ou separadas - em rigor, separadamente juntas na vida e neste livro.
No fim, volto ao principio. Depois de as ler, depois de as conhecer, a duvida que me resta, mistura de pergunta e receio, é outra: e se elas se calam?
Falo por mim: não quero que isso aconteça. Neste livro e na vida.

Pedro Rolo Duarte

Abril 2014"

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Desculpem a ausência...


Sim, desculpem a ausência. Tenho andado às voltas com a vida. Às voltas com escolhas, dilemas, desafios que nos arrancam da zona de conforto sempre que temos a arrogância de achar que fizemos as pazes com os nossos medos todos. Então a Vida vem, do alto da sua sabedoria indecifrável, e confronta-nos com fantasmas antigos para nos pôr à prova; quero acreditar que para nos mostrar o caminho, o que nos é colocado à frente dos nossos olhos ou o seu negativo; o que tiver de ser.
Daqui a uma semana agarro um desafio novo, mas continuarei sempre por aqui. Porque este blogue, vocês desse lado, este cantinho seguro que construo há 6 anos, são colo. E todos precisamos de uns quantos.

[fiquem por aqui]

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Já conhecem "o meu sítio do costume"?

Já está pelo Concelho de Oeiras mais uma edição do Roteiro 30 Dias, uma publicação da Câmara Municipal de Oeiras que divulga o que de melhor vai acontecendo por aqui. Mais uma vez, conta com um texto meu da rubrica Rua das Lojas, um espaço onde pretendo ir divulgando o comércio local com dicas sobre lojas, restaurantes e outros spots que frequento e que recomendo. O desta edição é a Loja da Confraria do Vinho de Carcavelos que, como explico no texto, é especial por muitas razões:

1. Porque tem boa comida;
2. Porque tem bom vinho e quem saiba recomendá-lo;
3. Porque tem memórias minhas, muitas.

Visitem a Loja e leiam o Roteiro. Não se arrependerão em nenhum dos casos :)

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Porque é que o Movimento "Mulheres de Prata" irrita alguma mulheres?[eu explico]



Os comentários mais desagradáveis que tenho tido por aqui aparecem sempre, curiosamente, quando falo da minha decisão de ter deixado de pintar o cabelo e de ter criado o grupo de facebook "Mulheres de Prata". O que parece irritar alguns leitores (leitoras, na maioria), é o facto de acharem:
1. que estou a querer catequizar alguém, 
2. que passei a diabolizar todas as mulheres que não decidiram o mesmo que eu, 
3. que acho que esta é uma decisão que pode mudar o mundo.

Comecemos pela primeira ordem de irritação:
Não quero convencer ninguém a fazer nada, porque não me julgo detentora de verdade nenhuma. Tenho o direito, sim, de partilhar uma decisão minha e se essa decisão for a de outras mulheres, porreiro encantado da vida. A criação do grupo Mulheres de Prata foi exactamente por isso: porque não quis fazer este caminho sozinha e porque percebi que muitas outras mulheres já haviam tomado a decisão, ou queriam tomá-la e precisavam de um "empurrão". A verdade é que este grupo já conta com 2494 mulheres a quem faz sentido participar num espaço onde possam colocar dúvidas e anseios, partilhar boas e menos boas experiências, ganhar coragem para parar de pintar o cabelo ou escolher que a decisão não é para elas (como já aconteceu com algumas e cujos testemunhos são igualmente emocionantes). Não quero catequizar ninguém a parar de pintar o cabelo. Na verdade, se esta minha escolha inspirar outras mulheres a pintar o cabelo às riscas porque toda a vida tiveram esse sonho, parte do meu objectivo está cumprido. O que eu quero é ainda mais ambicioso: contribuir para que as mulheres se sintam fortes o suficiente para tomar decisões em relação ao seu corpo e à sua imagem, sem que se sintam escravizadas pelos outros, pela sociedade, por quem quer que seja. Mas também quero inspirar outras mulheres a aceitar os traços do envelhecimento com generosidade e com orgulho, porque entendo que cada fio de cabelo branco, como cada ruga, contam uma história: a minha, a tua, a nossa. Quero que as mulheres parem de se criticar umas às outras, sempre com o medo implícito de perderem terreno, porque cada uma de nós é única, singular, especial, incomparável.
Que nada disto se confunda com descuido nem desmazelo. Aceitarmo-nos como vamos ficando não implica desleixarmo-nos e desistirmos de nós. Ao contrário, esta decisão corajosa requer muitos cuidados e é por isso que no grupo vamos falando sobre as cores que mais favorecem as mulheres grisalhas, a maquilhagem, os acessórios. Aceitarmos a nossa imagem não implica deixarmo-nos ir. Não. Implica a força anímica para construirmos a nossa melhor versão em cada momento, numa reinvenção constante que nos devolve identidade e que nos obriga a uma criatividade diária. Se isto tudo é possível continuando a pintar o cabelo? Óbvio que sim. Se perdemos a nossa identidade e a nossa história quando pintamos o cabelo? Claro que não. A questão é que ninguém questiona a mulher que decide pintá-lo mas, acreditem, muita gente o faz quando ela decide deixar de o fazer, principalmente quando ainda é relativamente jovem. E a minha questão reside nisto: nesta falta de liberdade encapotada.

Quanto à segunda ordem de irritação, dizer que quem lê os posts que escrevo sobre este tema terá reparado que faço essa ressalva muitas vezes. Quem sou eu para diabolizar quem quer se que seja? Logo eu, que pintei o cabelo durante mais de vinte anos! Esta foi a minha escolha, mas a ideia é que consigamos todas fazer as nossas, sem pressão de nenhuma espécie. Esta não é uma escolha para todas as mulheres, mas que seja para todas aquelas que querem fazê-lo. E que seja uma escolha sem medo do que os clientes,  colegas de trabalho, patrões, maridos e amigas vão pensar.

No que se refere à terceira ordem de irritação, perdoem-me a falta de humildade, mas quero mudar o mundo, sim. Quero mudar o mundo da minha filha, para que ela possa sempre ser aceite e acolhida com as suas características únicas e intransmissíveis. Quero contribuir, um bocadinho que seja, para quebrar alguns mitos em relação à beleza no feminino, em relação ao envelhecimento no feminino (tão diferente do envelhecimento no masculino!), e ajudar a construir um mundo onde a minha filha de cabelo branco, às cores, às riscas, às bolas, tanto faz, possa sempre ser ela própria.

Terminar este post dizendo que não é por acaso que este é o tema, de todos os que tenho abordado por aqui, que levanta mais polémica. É sinal de que a liberdade de expressão (neste caso, através do direito que temos de deixar o cabelo ao natural, sem estigma, sem culpa, sem pressão, sem opiniões que ninguém pediu), é um valor ainda em construção.

domingo, 12 de novembro de 2017

A criatividade rega-se!



A minha filha é a pessoa mais criativa que conheço. E a criatividade rega-se, como as plantas, como o Amor e como a bonsai cá de casa. 
É bom que os putos percebam desde cedo, que a Arte salva. Quanto mais cedo souberem isto, mais ferramentas terão para enfrentar o cinzentismo de alguns outros. E mais cedo entenderão este mundo doido, genial, perverso e maravilhoso em que vivemos,

[tarde passada no CAMB - Centro de Arte Manuel de Brito, Exposição Paisagens]

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Se a nossa família fosse um cartoon...


...seria assim.

[sem palavras que cheguem para agradecer à querida e talentosa Maria Santos, que soube captar-nos a essência numa ilustração]

sábado, 4 de novembro de 2017

16 anos de ti!


Há 16 anos eu e o pai estávamos na sala de partos da Magalhães Coutinho à espera que nascesses; estava difícil.
As dores eram terríveis e o pai ajudava como podia. Seguia o gráfico das contracções com uma precisão de engenheiro, dava-me a mão e avisava-me sempre que se previa a chegada de uma mais forte. No final, logo depois de nasceres, pedi-lhe um croissant com queijo, que foi buscar ao café à frente da maternidade. Terá sido, porventura, o melhor croissant com queijo da minha vida. Fizemos por ti, um trabalho de equipa e vamos fazendo isso há 16 anos, de muitas maneiras e feitios e com avanços e recuos, como todas as equipas.
A vida deu muitas voltas, mas a tua chegada fará sempre parte do lado solar da nossa história. E essa certeza, meu amor, é tua para a eternidade; e nós somos teus para o infinito.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Há famílias que precisam de ti!


A mulher por detrás deste projecto solidário chama-se Marisa Barroca e é minha amiga. Conhecemo-nos por causa do blogue e apesar de vivermos longe uma da outra, é daquelas pessoas que está à distância de uma palavra. Uma palavra sempre certa no momento certo.
Para além do seu trabalho diário, dedica-se à causa maior de ajudar famílias que nalgum momento da vida precisam de apoio, e agora pede-nos ajuda para continuar a cumprir esta missão.
Vamos fazer a nossa parte?...