quinta-feira, 27 de julho de 2017

Praga [dia #3]




Entrei na Arca de Noé*.
Almocei sentada num passeio em frente à Gucci.
Ouvi as Quatro Estações de Vivaldi pela Orquestra Sinfónica de Praga.
Comprei o "1984" em checo.
Comi este mundo e o outro.
Desfiz os pés e enchi a alma.

*exposição "A Arca de Noé", patente no Museu Nacional de Praga

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Praga [dia #2]



Entrei numa loja vicking.
Fui ao WC de um restaurante que tinha para utilização livre body lotion, desodorizante, palitos e toalhitas.
Tive um anjo sobre mim.
Vi outra serpente; mas não era branca.
Bebi 1/2 litro de Radler ao almoço.
Acendi uma vela contigo.
Estive num cemitério.
Passei por entre a chuva.
Apaixonei-me ainda mais por ti.

terça-feira, 25 de julho de 2017

Praga [dia #1]



Toquei piano na rua.
Fui figurante de um vídeo para o Goethe Institut de Praga.
Trouxe de um café onde se trocam livros, uma edição checa de 1932 de Charles Dickens.
Passei por um piano público no meio de um jardim.
Estive perto de uma serpente branca.
Vi um órgão onde Mozart tocou muitas vezes.
Li Kafka numa esplanada.
Vi uma casa que dança ("dancing house").
Namorei muito.

[vão seguindo a nossa viagem a Praga, AQUI!]

quinta-feira, 20 de julho de 2017

"Os sonhos que eu tenho não têm limites"


Se tiverem embalo para ver o vídeo até ao fim, ganham uma certeza: nunca é tarde para recomeçar nada.

[sou absolutamente fã da Chef Paola Carosella]

terça-feira, 18 de julho de 2017

E se?...

Foto: Maria João Pote Fonseca
A vida tem encruzilhadas que nos assustam; desafios que nos põem à prova e que nos esticam e que nos forçam a suplantar limites; curvas e contra-curvas que nos trocam as voltas e que nos põem no lugar, sempre que precisamos de lições de humildade. 
No meu caso, sempre que acho que estou absolutamente certa de um determinado caminho, chega algum dado novo para baralhar e dar de novo, uma espécie de prova de fogo pela qual tenho de passar para provar a mim própria, à Vida, ao que for, que este ou aquele é o caminho certo. 
Quando isto acontece, vem o medo, a vontade de chorar e de fugir, a sensação de impotência, de incompetência, e a tentação da preguiça. É tão mais fácil mantermo-nos no nosso cantinho confortável, menos trabalhoso, mais seguro, felpudo, quente, quieto. Mas o que fazer com esta inquietude que também me habita todos os dias? E com esta sensação, às vezes forte e doce, outras ténue e amarga, de que sou capaz de outras coisas, de outras geografias, de outras paisagens? 
E se o medo não for das minhas sombras, mas da minha luz? E se o medo não for do que não sou capaz de fazer, mas de tudo aquilo de que sou feita e que ainda não conheço? E se o verdadeiro medo for a tentação que dá algures a meio da viagem, para nunca testar os meus limites?...

segunda-feira, 17 de julho de 2017

A contar os dias...


Eu e tu.
Tempo de sobra.
Caminhar até termos bolhas nos pés.
Dormir muito.
Namorar mais.
Madrugadas longas.
Noites quentes.
Construir memórias.
Retemperar forças.
Renovar votos.
Nós. Só nós.

Praga, meu amor.

domingo, 16 de julho de 2017

Sobre a amizade...


A Amizade também se mede pela maneira como encaramos os sucessos dos amigos.
É muito fácil ser amigo de quem está na mó de baixo. Inspira compaixão e confere a sensação de que somos bons samaritanos. Já ter amigos com sucesso e felizes, é mais desafiante. É preciso termos o nosso quinhão de felicidade e uma certa dose de coragem para assumirmos aquilo em que queremos ter sucesso.
Ontem, Carla Rocha, ao ver-te a entrevistar o José Eduardo Agualusa, inchei de orgulho.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Qual é coisa, qual é ela...



Vejo-as ao alcance de uma mão. Encaminham-se na minha direcção a passos mais vagarosos do que gostaria, mas certeiros. Adormeço e acordo a pensar nelas e dou por mim a meio da manhã ou da tarde (principalmente daquelas menos luminosas), obcecada com a ideia de que estão, finalmente, a chegar-me. E ainda assim, apesar de estarem já tão perto, ainda me escapam, o raio das férias.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Coração fora do peito!


Olho-os com a distância possível e vejo o meu coração ao longe, fora de mim. Como se estivesse por ali pendurado, a planar sobre eles, e já sem conhecer o caminho de volta. Acolher o coração fora do peito é a melhor e a mais aterradora sensação do mundo. E amar incondicionalmente é a minha maior lição de humildade.

domingo, 9 de julho de 2017

O agora e o antes disto tudo!


[foto nostálgica do dia: o nosso casamento]
Acordámos às seis da manhã, como de costume. O meu marido está com uma enxaqueca gigante e eu não sei o que me dói, com franqueza. Talvez seja mais um acumulado de dores de há muitos meses, talvez não seja nada, apenas cansaço; não sei.
Sei que é Domingo de manhã e que me me apetece dormir até à noite. E sei que de cada vez que olho para o nosso bebé, lindo, simpático, melhor do que tudo aquilo que sonhámos, hesito entre a felicidade extrema e a nostalgia do "antes". De como era tudo "antes". Da exaustão física que não sentíamos, do tempo que tínhamos só para nós, das finanças mais equilibradas, das palavras ditas menos fora do lugar, desse "antes" que agora romanceio um bocadinho, como fazemos com tudo aquilo que achamos que perdemos irremediavelmente. 
Enfim. Nada que uma boa noite de sono não cure.

sábado, 8 de julho de 2017

Liberdade de seres quem és [em cada momento]


Não pinto o cabelo há meio ano. Seis meses livre de químicos e de horas de pousio, enquanto a tinta actuava devagarinho no meu organismo inteiro, não tenhamos ilusões.
Confesso que este meio ano foi mais fácil do que pensei, também porque optei por fazer um corte radical para acelerar o processo, mas principalmente porque fiz o que me apeteceu, sem pressões, nem grandes expectativas.
Hoje em dia, olho-me ao espelho e já não estranho a imagem que por lá fica. Agora é ao contrário: estranho as fotografias de cabelo vermelho; gosto delas, mas já não me identifico. Assim como também já não reconheço o meu braço sem esta tattoo que escondi durante 1 ano, porque as pessoas são assim mesmo: mutáveis, tantas vezes inconsistentes, e incompreensíveis, diferentes em diferentes fases da vida.
Gosto de pensar que a ideia de sermos sempre a mesma pessoa ao longo da nossa existência, é uma mentira que nos contam mascarada de congruência, e que é tantas vezes em nome dela que cristalizamos em quem julgámos ser num dado momento, ou em quem julgam que somos para a eternidade. E não há prisão maior.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Ano Novo, vida nova!

Juvenália de Oliveira Fotografia

O meu Ano Novo não começa a 1 de Janeiro, mas no dia do meu aniversário. Isto quer dizer que hoje me entra um ano a estrear e que é hoje que tenho que fazer desejos, comer doze passas em cima de uma cadeira e lançar fogo de artifício.
Esquecendo a cadeira, as passas e os artifícios, aqui fica a minha lista das 10 aspirações para cumprir entre 4 de Julho de 2017 e 4 de Julho de 2018:

1. Ser a mãe que cada um dos meus 4 filhos precisa;
2. Entregar à editora o livro que comecei quando o Vicente nasceu e vê-lo publicado;
3. Terminar a Pós-Graduação em Mediação Familiar e ter o privilégio de fazer co-mediação com a Isabel Oliveira (uma vez na vida, vá...);
4. Manter a alimentação que tenho tido até aqui, com mais acertos que desvios;
5. Aceitar os desafios que são para mim, sem medo;
6. Recomeçar a correr;
7. Fazer uma nova tatuagem;
8. Namorar sempre, independentemente dos cansaços, das rotinas, das birras, da vida real;
9. Ir a Florença com o homem da minha vida;
10. Acabar o ano a dizer que foi um ano do caraças.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Amanhã chegam-me...


Chegam amanhã do outro lado do mundo, exactamente no dia em que faço 43 anos.
Nesta ausência, têm-me valido as muitas fotografias enviadas pela madrasta, este nome feio que a sociedade encontrou para apelidar as mulheres dos pais dos nossos filhos que, em muitos casos, felizmente, não faz jus ao papel construtivo que têm nas suas vidas. Nem ao papel que tem na minha, porque seria tudo tão mais difícil se não contasse com esta espécie de parceria que facilita a vida e que acalma o coração.
Amanhã chegam os meus dois rapazes, a minha melhor prenda de aniversário de sempre. 

domingo, 2 de julho de 2017

E como estamos de açúcares? E de culpa?


A correria dos dias nem sempre deixa espaço mental para planear as minhas refeições como gostaria e como o corpo já pede. Esta "casa" em que habitamos habitua-se depressa às porcarias, mas também aos alimentos de verdade e ultimamente, sempre que abuso, esta casa-corpo dá sinais: má-disposição, sensação de enfartamento, insónias, mal estar geral. Se há coisa que esta reprogramação alimentar me ensinou, foi a ouvir-me por dentro e a estar atenta, e esta talvez tenha sido a maior de todas as aprendizagens neste processo.
Ainda assim, tudo isto é feito de avanços e recuos, porque somos tudo menos lineares e ainda bem! Noto que em alturas de maior stress, descontrolo-me mais facilmente e como tudo o que estiver à mão. No outro dia, por exemplo, enfiei no bucho 6 areias de seguida enquanto fazia um trabalho exigente e episódios destes, mesmo que mais raros, vão acontecendo. Pacífico. A necessidade de açúcar aparece sempre que estou mais vulnerável por alguma razão e não querendo fazer disso um bicho papão, estou alerta.
A única maneira de ir resolvendo a coisa é garantir que tenho em casa substitutos que saciam a minha voracidade por doces, e a fotografia de cima é disso exemplo: banana salteada em óleo de coco, morangos frescos, coco ralado, amêndoa ralada e manteiga de amendoim sem açúcar adicionado. Saciou-me a fome e o vazio que antecipa a vontade irreprimível de comer açúcar e fiquei tão satisfeita como se tivesse engolido uma bola de berlim! E, claro, o corpo agradece.
De resto, minhas amigas, a vida é feita de pecadilhos e de acertos. E se não fosse assim, que graça teria tudo isto?...

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Quem é que ainda quer ter 20 anos a vida toda?


A cada dia que passa o meu cabelo vai ficando mais branco e esta possibilidade de ver o milagre da transformação acontecer, é uma benção.
Dizem-me que isso é ir assistindo, todos os dias, ao meu envelhecimento. Claro que é. Mas para onde pensamos nós que caminhamos todos? Para a juventude eterna? Para a busca de um elixir mágico que nos traga beleza e vinte anos a vida toda? E se vos disser que não gostei de ter vinte anos e que me sinto agora, mais próxima da minha melhor versão?...

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Sinto culpa porque...

...falto sistematicamente ao trabalho há quase dois meses, primeiro porque a minha mãe partiu o pulso e não arranjava creche para o Vicente e depois, porque arranjei creche e ele está sempre doente;
tenho projectos pessoais que não estou a conseguir adiantar no tempo a que me propus;
me falta tempo para namorar e para mimar o meu marido;
não sobram braços nem colo nem cérebro para tantos filhos e tantas solicitações diferentes;
não consigo manter a casa arrumada como imagino que as mães todas do mundo conseguem;
adormeço no sofá quase todas as noites;
não devolvo chamadas, não retribuo mensagens e mal respondo a mails;
fervo em pouca água;
ouço os outros, mas não escuto nada;
finjo que está tudo sob controlo, mas não raras vezes me sinto uma fraude.
No fundo, só quero que me deixem em paz durante um dia inteiro; que se esqueçam da minha existência e me larguem da mão, entregue ao mais profundo silêncio. Um dia, apenas.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

10 anos, dois números, o meu pior aniversário!


Aos 10 anos a minha filha teve o seu primeiro desgosto. E tudo começou no exacto dia em que os fez, acabada de chegar da "viagem de finalistas" que fechava o seu 1º Ciclo e que acabou por fechar-lhe a possibilidade de andar de avião pela primeira vez, de visitar a China e de rever o pai.
O passeio que lhe roubou a viagem de sonho foi no fim-de-semana dantesco que roubou a vida a tanta gente, e é por isso que relativizo a tristeza em que a minha filha está desde aí. Diz-me que andou um ano inteiro a pensar nela - na viagem de sonho, que tem saudades do pai e de uma China que ainda só existe na sua cabeça, e está dividida entre a inveja que sente dos manos e o sentir-se feliz por eles. Um dilema moral que os adultos conhecem de cor e que ela experimenta pela primeira vez. Para além disso, está fisicamente deitada abaixo, porque o calor severo daqueles dois dias de inferno desidrataram-na, com tudo (ou quase tudo) o que isso implica.
Ainda assim, agradeço a Deus esta filha triste que tenho. Agradeço tudo, todas as pessoas que permanecem, mesmo nos seus dias a preto e branco, que todos temos e que a minha filha também já tem. Porque nenhuma tristeza se compara à tragédia de quem não viu voltar "os seus" naquele fim-de-semana de inferno. Naquele dia infernal em que a minha filha fazia 10 anos, finalmente dois números mamã, o meu pior aniversário.

[obrigada pelas mensagens de carinho; a Vitória já está a recuperar por dentro e por fora]

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Partidas e chegadas



Não escrevo desde que os meus dois filhos mais velhos foram de férias para a China. E desde que a minha filha foi obrigada a ficar em terra por problemas de saúde. Não escrevo cá para fora, mas faço mil narrativas por dentro, a repetir vezes sem conta que os rapazes foram na maior aventura das suas vidas, e que ela tem a vida pela frente para muitas mais.
Assim seja.

sábado, 17 de junho de 2017

10 anos da minha maior Vitória!

Pau Storch Photography

Foste o meu parto mais fácil, o único que aconteceu logo de manhã às mãos da Enfermeira Celeste que nunca mais vi, mas que que nunca mais esqueço. Chegaste calma, mas cheia de força e foste a Vitória da nossa vida, a princesa entre dois piratas, o tempero rosa que precisava para sentir que tinha a minha maternidade cumprida.
És o meu maior desafio, porque me revejo sempre que olho para ti. E porque és muito melhor do que sempre fui: cuidadora, mãe dos manos, às vezes crescida demais para os teus 10 anos, dona de uns olhos bem mais antigos que tu; mas isso ainda não sabes.
Amo-te. E quando deixares de gostar de cor-de-rosa e de ganchos no cabelo, mesmo assim e contra a tua vontade, serás sempre a minha princesa.

[parabéns, meu amor!]