sábado, 23 de dezembro de 2017

Há quanto tempo é que não passeávamos juntos?


Há mais de um ano que não passeava por Lisboa com o meu marido. Só os dois, sem carrinho de bebé para empurrar, sem horários para cumprir, sem ter de procurar um restaurante kids friendly, sem entrar numa loja enquanto o outro dá voltas na rua para o puto não chorar.
Estarmos só os dois, ao nosso ritmo, metidos na nossa vidinha, é uma proeza cada vez mais rara, mas continua uma demanda nossa. Quero dizer, não é porque o fazemos menos vezes que vamos ficando com menos vontade de o fazer e isso dá-me alento. Eu que sempre fui descrente em relação à duração brilhante das relações. Logo eu, que sempre achei que ao fim de pouco tempo tudo se desvanecia tristemente, a tesão, a vontade de estar com, o prazer, o interesse genuíno no outro.
A rotina é demolidora, com franqueza. Mas o Amor bem regado gosta da rotina, porque a chama a si com uma certa graça e com uma boa dose de ironia. A rotina pode ser boa, quebrada de longe a longe.

[boas festas!]

Sem comentários: