terça-feira, 28 de novembro de 2017

Sair da zona de conforto




Sair da zona de conforto implica uma boa dose de coragem e de loucura. Implica olhar o medo de frente, segurá-lo pela mão e ter jogo de cintura para umas vezes deixar que ele nos guie e para outras, deixarmo-nos guiar por ele; sem tretas do género "ah, eu não tenho medo de nada" ou "isto é tão fácil como beber água!". Às vezes não é e não faz mal.
Sair da zona de conforto implica ser humilde para aprender o que não se sabe ainda e ser seguro para fazer o que se sabe bem. E implica viver bem com os dois lados da mesma moeda, sem falsas modéstias nem complexos de inferioridade. E também implica conviver com o caos durante um tempo; o tempo que é preciso até tomar o pulso a uma vida nova, até ganhar tempo para voltar a respirar fundo, até nos apropriarmos de uma existência diferente. E boa.
Sair da zona de conforto implica ter uma zona de conforto para onde voltar todos os dias, sem excepção. Implica ter rede, ter um ninho, ter colo e mimo e paz num sítio qualquer. Implica ter onde recarregar baterias, onde carpir mágoas, lamber feridas para voltar à vida lá fora.
Sair da zona de conforto implica pedir ajuda a quem se confia e aguentar firme em terreno pantanoso. Implica aprender a separar o trigo do joio e viver bem com isso.
Sair da zona de conforto implica ter vida que nos sustente, família, amigos, gente que nos acolhe no matter what. E implica lucidez para estabelecer limites e para ultrapassá-los só quando vale mesmo a pena.
Sair da zona de conforto implica lidar com a crítica dos outros e de nós próprios sem desabar. E implica distinguir claramente a que constrói da que derruba. 
Sair da zona de conforto implica precipícios diários, pontes diárias, perdas e ganhos. E implica distanciamento para ganhar perspectiva.
Sair da zona de conforto implica um exercício de humildade constante e a certeza absoluta de que há vitórias que nem sempre acrescentam e fracassos que, às vezes, são milagres.
Sair da zona de conforto é uma viagem do caraças que dói, que constrói, que destrói, que fortalece. É a vida.

9 comentários:

Alexandra Dinis disse...

Querida Marta, sempre a "adivinhar" o que eu preciso ouvir.
Obrigada
������

AC disse...

Boa forma de encarar!

Maria Nunes disse...

Tão bom... é isso mesmo!! Desafio constante. Obrigada

Anónimo disse...

Olá Marta. Parabéns pela coragem que demonstra em tantas e tantas situações! E pelo discernimento que transmite! E por tanta coisa em que é uma fonte de inspiração para mim que sou um pouquinho mais velha, tb mulher de prata, mãe de dois tesouros mas muito mais limitada qd se trata de deixar a zona de conforto!

Anónimo disse...

Não sei o que se passa contigo. Vais mudar de emprego? Talvez, seja o que for espero que corra tudo bem. Mas deixa-me acrescentar que para sair da zona "de conforto" estás, no meu entender, a limitar, pois aprensentas muitas condições ou dúvidas...Lua Azul

Anónimo disse...

Parecem-me mesmo dúvidas existenciais 😊 Lua Azul

moijeeu disse...

E se nos quisermos manter na zona de conforto?
Há algum mal nisso?

Anónimo disse...

Se for confortavél e bastar.....não...

Anónimo disse...

Se me permite, está horrível.