quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Carta aberta à minha mãe

Foto: Jaime Silva

Mamã,
Fizeste 70 anos há menos de 1 mês e sei como este número é redondo demais para ti, que ainda te vês nas récitas do Liceu de Portimão e com uma energia de adolescente.
Percebo a sensação que tens de que a vida está a passar depressa demais por ti, como se estivesses numa carruagem de um comboio que já não pára em estação nenhuma. Mas dizer-te que és um exemplo de como não é a vida que passa por nós, mas somos nós que passamos por ela. Somos nós que, apesar de todas as vicissitudes (e tiveste muitas!) escolhemos a maneira como queremos passar tempo nessa carruagem que ganha balanço e não encontra apeadeiros. 
Escolheste sempre o lado solar, apesar de todas as sombras: evoluíste na profissão, já comigo por cá, e ganhaste autonomia; refizeste a vida depois do fim de um casamento de 30 anos; correste atrás do sonho da fotografia; viajas pelo mundo fora com a tal autonomia que conquistaste a pulso e és agora, aos 70, mais realizada que aos 30. Estarei enganada? Tornaste-te a tua melhor versão, e olha que não falo da beleza física, embora continue a achar que és a mulher mais bonita do meu universo. Falo da beleza que a maturidade nos traz, aquela que transparece na segurança de, finalmente, podermos ser e fazer o que quisermos, sem medo dos juízos dos outros nem dos nossos próprios.
Quando crescer, mamã, quero ser como tu. E acredita, o comboio anda muito depressa, mas estou lá dentro contigo.

6 comentários:

macaca grava-por-cima disse...

que bonito Marta!
Que orgulho... e que exemplo!

Cuca Fervilhante disse...

Tem uma mãe fantástica :) Sigo as fotos dela no instagram, é uma inspiração, um talento! Que continue assim, viva em todos os sentidos.

Juvenália Dorotea disse...

Bolas filhota, nem sei que dizer! Só muito obrigada por seres quem és!

Mda Sauda disse...

Gostei muito. Parabéns à Ju e à filha linda que tem e que tão bem escreve. 👏👏❤️

Isaal disse...

Texto lindo!!! Parabéns ás 2!!

Maria Leonor Correia Dias disse...

Lindo texto, espelho das duas MULHERES, MÃE, que conheço de há muito, e FILHA.
Obrigada pela partilha
Abraço